O que é Pubbhing? Você pode praticar ou ser vítima sem saber

Desde que esses dispositivos surgiram, com ênfase nos smartphones, apareceram tudo ficou mais fácil, e tem ajudado em tudo praticamente virou uma extensão das pessoas, mas além dos benefícios, a dependência dessa ferramenta fica cada vez mais evidente. Não raramente, muitos se sentem perdidos ou isolados quando se esquece ou a bateria do aparelho acaba. Quem se identificou?

Atualmente essa prática tem se tornado cada vez mais comum com os avanços da tecnologia, claro que não estou falando que o avanço tecnológico é ruim, ao contrário, é maravilhoso, porém assim como tem o lado bom, também vem o lado perigoso e desequilibrado do seu uso. 

SIGNIFICADO 

De acordo com o site Wikipédia Phubbing é um termo inglês criado como parte de uma campanha pela Macquarie Dictionary a partir das palavras snubbing (esnobar) e phone (telefone) para descrever o ato de ignorar alguém usando como desculpa, um telefonema, mensagem ou outros através de um smartphone.

Conscientemente ou inconscientemente, quem nunca fez isso? Quem nunca teve a sensação de conversar com alguém que presta mais atenção ao celular do que no que está sendo falado?

Para muitos essa prática já virou hábito, ocorre que, isso está aumentando com o tempo, e devemos ver com olhos de alerta para não praticarmos ou cairmos nessa cilada.

VÍTIMAS DO PUBBHING

No Texas, foi realizado um estudo da Universidade de Baylor University, onde 46% dos 145 entrevistados confirmaram o uso do celular como problema nos relacionamentos com seus parceiros de diferentes formas e intensidades. “Às vezes”, “frequentemente” e “o tempo todo” foram as expressões utilizadas para mensurar a regularidade do desconforto. Em mais de 20% dos casos, a situação encerrou em conflito.

A pesquisadora Meredith David em seu relatório de estudo afirmou o seguinte: “Nas interações sociais diárias, as pessoas acham que distrações momentâneas com o celular não são um problema sério. Mas essa pesquisa mostra que, na medida em que isso ocorre com um casal, é pouco provável que o indivíduo ignorado esteja feliz no relacionamento”.

A Pew Internet fez uma pesquisa nos Estados Unidos com 2277 adultos, dessas pessoas 13% admitiram que fingem usar o celular para evitar o contato com outras pessoas, dentre elas, a maioria entre 18 e 29 anos.

A terapeuta de casal, família e uma das fundadoras do Instituto do Casal, Denise Miranda de Figueiredo afirma que “O mais sério disso é que, hoje em dia, o celular entra como terceiro elemento. Você não consegue mais estar só com seu amigo ou parceiro. Em vez de entrar como um elemento que comunica, ele afasta”.

A especialista explica que as pessoas que vão ao instituto reclamam muito sobre como o outro não presta atenção nelas, não interage ou não tem mais interesse nelas. As queixas são parecidas: desvalorização, falta de amor, falta de consideração, “é como se elas perdessem o espaço para o celular, que acaba representando esse universo de interesse que compete com a outra pessoa”.

Os pesquisadores de um estudo publicado no Journal of Applied Social Psychology afirmaram que essa prática pode ser bem prejudicial, já que vem ocorrendo com frequência. O estudo demonstrou que o phubbing ameaça quatro carências do ser humano: 1. o sentimento de pertencimento, 2. a existência significativa, 3. a autoestima e 4. o autocontrole das pessoas esquecidas.

Conforme um artigo publicado pela Computers in Human Behavior, o simples ato de enviar mensagens de texto enquanto se conversa com alguém torna o diálogo insatisfatório.

O celular é capaz de distrair a atenção de alguém até mesmo quando está desligado. Muitos não conseguem dividir os seus horários, sofrem de ansiedade, de não conseguir esperar para responder as mensagens, e-mails, entrar nas redes sociais, etc… a lista de afazeres é imensa, sempre tem algo pra fazer no celular e isso deixa a pessoa em um loop inconsciente.

A esse respeito, outra pesquisa feita pelo Journal of Social and Personal Relationships, descobriu que quando tem um celular presente, mesmo que ninguém esteja usando, as pessoas próximas se sentem menos conectadas umas com as outras.

Nesse caso, inicia-se a dúvida, o celular vem para desenvolver o contato social ou serve de barreira para o contato humano? Tudo depende de como essa ferramenta é utilizada.

O site Gazeta do Povo, em sua sessão Viver Bem compartilha conosco uma entrevista com a Arquiteta Cíntia Rocha Santos, de 40 anos, uma vítima do ato:

“Depois do WhatsApp meu casamento foi ladeira abaixo”, Para Cíntia, o aplicativo de mensagens foi um dos principais motivos que levaram sua união de 11 anos ao fim. “Tudo começou ali. Ele acordava e já pegava o telefone, ia ao banheiro com o aparelho, ficava conectado nas horas de descanso. Todo o tempo livre que a gente tinha era assim”, desabafa.” “Durante as refeições, a família – composta por Cíntia, o marido e as duas filhas de 11 e 5 anos –, parecia nunca estar só. Dezenas de notificações pipocavam dos grupos do WhatsApp: amigos do futebol, colegas de trabalho, primos e primas “falavam” ao mesmo tempo.

Na ânsia do marido em responder a todos e se manter na conversa, quem ficava de fora dos papos eram a esposa e as filhas. “Pedi que ele não o usasse enquanto estivesse na mesa com as crianças”, lembra. Em uma tentativa de despertar a atenção do pai, as filhas escreveram bilhetinhos pedindo para que ele ficasse longe do celular. Não deu certo e, aos poucos, Cíntia se adaptou à situação. “Nossa comunicação começou a ser via WhatsApp. Eu mandava mensagem dizendo que o jantar estava pronto ou que ele precisava cuidar das crianças. Isso potencializou a falta de interesse. Me senti abandonada”, conta. Dois anos depois, o divórcio. Ela notificou o ex-marido de que estava saindo de casa através de uma mensagem, como já era costume.”

 

NOMOFOBIA – VOCÊ SABE O QUE É?

É a necessidade de estar sempre ‘por dentro’ de tudo o que acontece e o receio de ficar sem celular, a expressão vem da junção de ‘no’ (não) + ‘mo’bile (celular) + fobia (medo). 

A terapeuta Denise Miranda define da seguinte forma: “Há um movimento em que as pessoas não podem perder nada, porque acham que isso as coloca fora dos acontecimentos”. 

O coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Cristiano Nabuco, fala que duas coisas poderão ocorrer: a depressão pode levar alguém ao uso desmoderado do celular ou o contrário. E ainda afirma: “quanto mais as pessoas se abstém das relações e vive no seu mundo, a gente percebe que o uso excessivo já está cumprindo alguma função”.

 

“Ela acha que alguém pode estar falando dela, que está perdendo algo. A necessidade é tanta, que ela imagina que o celular está vibrando e não pode pensar que a bateria vai acabar”, afirma Cristiano Nabuco.

Em 2015, os cientistas turcos da Universidade Osmangazi Eskisehir (ESOGU), em um estudo pioneiro sobre phubbing, definiram o comportamento como uma soma de vícios: vício de celular, vício de SMS, vício de mídias sociais, vício de internet e vício de games, vício de SMS, hoje em dia, praticamente desapareceu, para dar lugar a um vício talvez mais forte, o de, Messenger, WhatsApp e apps de mensagens semelhantes.

As numerosas ferramentas que um dispositivo (por exemplo, o smartphone), traz são um ‘atrativo’ para o cérebro, e sabemos que muitos deles são apenas distrações. O terapeuta Nabuco, explica que “O cérebro, na medida em que percebe que o aparelho oferece várias possibilidades, elege o celular como item de suma importância de forma inconsciente. Estima-se que o cérebro começa a liberar dopamina, hormônio neurotransmissor ligado aos efeitos de satisfação e motivação”.

O coordenador explica que a nomofobia é como se a tecnologia roubasse uma sequência de prioridades da vida de uma pessoa. Se a princípio essa prática é impulsiva, com o decorrer do tempo ela se tornará ainda mais viciante e inconsciente.

Com o tempo, as pessoas sequer se dão conta da gravidade desse ato e acabam perdendo a sensatez para enxergar isso, diz o especialista. É aí que esse hábito começa a ser praticado em todos os momentos. Nabuco aponta: “Perdeu-se o ‘cuidado’ de que as coisas não estão bem. Para a pessoa do lado, passa a sensação de que o que está no celular é mais importante do que a pessoa”.

COMO EVITAR O PHUBBING 

Para evitar esta prática é necessário desenvolver bons hábitos. Para começar, pare de evitar as pessoas com a desculpa do celular, ao entrar em contato com uma alma humana, tenha empatia, as pessoas têm sentimentos.

Desenvolva o autocontrole, se você tem consciência de que utiliza o celular o tempo todo e muitas vezes quando está conversando com outras pessoas, pare e repense, isso é saudável de alguma forma? Sabemos que não.

Se for fazer uma viagem, evite o uso do celular o tempo inteiro, aproveite para apreciar o local, conhecer pessoas novas, a cultura local, apreciar o momento e as companhias que estão viajando com você.

Muitas pessoas praticam o pubbhing para escapar dos problemas pessoais. Se autoanalise, reconheça seus sentimentos e pare de usar o celular como uma desculpa para não encarar o que você está em seu interior.

Reserve momentos a sós com seu parceiro ou com quem quer que seja que você ache que precise de atenção e deixe o celular de lado, se dedique a este momento, pratique a conversa, desenvolva ou reavive o interesse pela vida do outro.

Se o pubbing vem sendo praticado no ambiente familiar entre pais e filhos, perceba com que frequência isso está ocorrendo e qual o sentimento e consequências isso vem gerando? Elabore programas em que todos os integrantes possam participar sem uso do celular, livre de interrupções, uma conversa, um jogo, um filme em grupo, existem infinitas possibilidades.

Uma outra ótima dica é evitar o celular nas horas de refeições, um artigo do Journal of Experimental Social Psychology, revela que as pessoas que olham para seus celulares enquanto comem em companhia apreciam menos sua comida e se sentem menos envolvidas em comparação com aquelas pessoas que preferem não utilizar a ferramenta durante a refeição. 

Em nenhuma hipótese tente proibir o uso do celular para alguém, isso não resolverá nada e apenas irá piorar a situação. Esteja disposto a resolver essa questão com uma conversa honesta, se você é a vítima, explane como você se sente com relação a isso.

CONCLUSÃO 

De acordo com os psicólogos, informatas e economistas que estudam o assunto, o pubbhing tem consequências expressamente negativas na vida das pessoas, pois provoca conflitos no que se refere ao uso do celular, diminui a satisfação e entusiasmo nos relacionamentos e inconscientemente reflete nem uma menor satisfação com a vida.

O fato é que os celulares e as mídias sociais, destinados a conectar as pessoas, talvez estejam impedindo que se conectem.

O celular é uma ferramenta maravilhosa no que diz respeito à interconexão social, mas o seu uso de forma desequilibrada, definitivamente tem de ser encarado como um alerta e extremamente prejudicial às interações humanas.

Receber atenção de pessoas que gostamos ou de quem nem sequer conhecemos, já melhora muito o nosso dia. É muito bom ter alguém disposto a nos escutar, a nos fazer rir, é ótimo saber que essas pessoas estão por perto se um dia precisarmos e ainda que gostam de nossa companhia. Com isso, percebemos que não estamos sozinhos e que tem pessoas no mundo que realmente se importam conosco.

 

Faça uso da tecnologia de uma forma consciente e equilibrada, demonstre consideração pelas pessoas ao seu redor e lembre-se a mudança começa por você.

Randressa Nogueira
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