Como Praticar a Comunicação Não-Violenta

Comunicação Não-Violenta – Comece a aplicar no seu dia a dia

A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma técnica de comunicação sistematizada pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg (1934-2015). Ela consiste em um método de resolução pacífica de conflitos, baseada na empatia.

Marshall levava sua técnica para programas de paz em regiões assoladas por conflitos e guerras como Cisjordânia, Ruanda, Croácia e Belgrado. Bem como para as escolas e famílias, em busca da pacificação de conflitos cotidianos. ​

No entanto, você vai ver que a Comunicação Não-Violenta é muito mais que uma técnica de comunicação. Ela é uma forma diferente de ver o mundo e as pessoas. Com prática, esforço, paciência e envolvimento genuíno, podemos transformar nossos relacionamentos através da aplicação da Comunicação Não-Violenta.

Descubra o que você precisa saber para começar a aplicar a Comunicação Não-Violenta no seu dia a dia.

A Comunicação Não-Violenta é composta didaticamente por 4 componentes necessários para a sua aplicação: observações, sentimentos, necessidades e pedidos. Na prática dos diálogos do dia a dia, muitas vezes os passos não acontecem exatamente nesta sequência, mas tendo os 4 componentes como princípios nos quais se basear, é possível realizar grandes avanços em nossos processos de discernimento interno e nos diálogos com outras pessoas.

1º Componente: separar as OBSERVAÇÕES das AVALIAÇÕES

As observações são relatos de fatos que podem ser imediatamente verificáveis por qualquer pessoa que percebe algo. Relatos que sejam compatíveis com o que uma câmera filmadora pode captar.

Já as avaliações são nossas opiniões, pensamentos, impressões, julgamentos. Geralmente consistem de generalizações, ou rótulos, que limitam nossa percepção da totalidade do ser de outra pessoa.

​É muito mais fácil usar avaliações em vez de observações em nossas conversas. É mais fácil dizer “toda vez você faz isso” do que pensar com cuidado e dizer “das últimas 3 vezes você fez isso”. Usar avaliações é escolher o caminho aparentemente mais curto, mas ele acaba sendo o mais longo, pois nos distancia da conexão com o outro.​

Tendo como ponto de partida as avaliações, nós distorcemos por completo a leitura dos fatos, e assim ela adquire a cor dos medos, das esperanças e das projeções que habitam em nós.

Ao combinar a observação com a avaliação, diminuímos a probabilidade de que os outros ouçam a mensagem que desejamos lhes transmitir. Em vez disso, é provável que eles a escutem como crítica e, assim, resistam ao que dizemos.

Entretanto, manter o foco nos acontecimentos é uma forma eficaz de gerar estratégias para solucionar os problemas. Assim, conseguimos sair do ciclo vicioso das críticas e da culpabilização.

Enquanto permanecer no campo das críticas e a culpa é como estar em um incêndio. Não é possível respirar, nem enxergar uma saída. E aos poucos o relacionamento vai se desgastando.

A Comunicação Não-Violenta não nos obriga a permanecer completamente objetivos e a nos abster de avaliar. Ela apenas sugere que mantenhamos a separação entre nossas observações e nossas avaliações. Que saibamos reconhecer quando estamos observando, e quando estamos avaliando. Desta forma, podemos ir além dos nossos julgamentos e não ficar limitados a eles.

2º Componente: identificar os SENTIMENTOS

 

Ter sentimentos é uma propriedade dos seres humanos. Todos nós somos sensíveis, pois todos sentimos emoções (mesmo que em intensidades diferentes). Mas em nossa cultura, ser sensível se tornou sinônimo de ser fraco.

  • Expressar nossa vulnerabilidade pode ajudar a resolver conflitos

Vivemos a ditadura do pensamento positivo onde expor sentimentos “negativos’ pode parecer até mesmo politicamente incorreto.

Ouvimos constantemente “Não se preocupe”, “Está tudo bem”, “Anime-se”, “Melhore”, ou mesmo “Nem é nada tão grave assim” e “Pare de chorar”. Isso transmite uma mensagem cultural forte de que as emoções negativas significam que deve haver alguma coisa errada com você e você precisa se livrar rapidamente delas.

Mas é um alívio tão grande quando alguém, de forma tranquilizadora, nos deixa sentir sem tentar consertar o que sentimos: “Não há nada de errado em ‘se sentir para baixo’.” “É natural que você se sinta preocupado.” “Isso é muito doloroso.” “Imagino que seja frustrante.”

Precisamos nos afastar um pouco da noção de felicidade constante e avançar em direção a um conceito de saúde emocional.​​

  • Os SENTIMENTOS são diferentes dos PENSAMENTOS

Uma confusão comum gerada por nossa linguagem é o uso do verbo sentir sem realmente expressar nenhum sentimento. Os pensamentos são nossas impressões, nossas opiniões. Cada um tem pensamentos diferentes sobre um acontecimento. Já os sentimentos são comuns entre nós, mesmo que em graus, formas e causas diferentes.​

PENSAMENTOSSENTIMENTOS
Sinto-me uma fracassada por não ter alcançado a meta.Estou desapontada comigo mesma por não ter alcançado a meta.
Sinto que hoje foi um dia ruim.Sinto-me exausto depois de tanto trabalho.
  • Assumindo a responsabilidade por nossos sentimentos

“As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as vêem.” – Epicteto

O que os outros fazem pode ser o estímulo para nossos sentimentos, mas não a causa. Os nossos sentimentos resultam das nossas necessidades atendidas ou não atendidas.

A escravidão emocional é quando acreditamos que somos responsáveis pelos sentimentos dos outros. Achamos que devemos nos esforçar constantemente para manter todos felizes. Ou mesmo quando queremos responsabilizar o outro por um sentimento que é nosso, nestas situações é comum utilizarmos palavras que são pseudo-sentimentos.

Clique abaixo para fazer o download das listas sugeridas por Marshall Rosenberg, de sentimentos que podemos ter quando:

3º Componente: foco nas NECESSIDADES

Por trás de todo sentimento, há uma necessidade.

Estamos acostumados a pensar no que há de errado com as outras pessoas sempre que nossas necessidades não são satisfeitas. O problema está sempre no outro, e esquecemos de olhar para as nossas reais necessidades.

Falar sobre necessidades dá espaço para empatia e para compaixão, pois somos comuns em nossas necessidades. Existem algumas necessidades humanas básicas que todos compartilhamos.

Todas as nossas necessidades são legítimas. Se não valorizarmos nossas necessidades, os outros também não podem valorizá-las. Pois, para isso, elas precisam ser expressadas. Afinal, o outro não pode adivinhar o que não é dito.

Mesmo que não possamos ter todas as nossas necessidades atendidas quando queremos, apenas expressá-las ameniza nossas dores. E nos permite procurar estratégias para satisfazê-las.

4º Componente: PEDIDO que possa satisfazer as necessidades

 

Quando nossas necessidades não estão sendo atendidas, depois de expressarmos o que estamos observando, sentindo e precisando, pedimos que sejam feitas ações que possam satisfazer nossas necessidades.

Como podemos expressar nossos pedidos de modo que os outros estejam mais dispostos a responder compassivamente a nossas necessidades?

  • Pedidos com consciência

Existe uma razão para que o pedido seja o último componente da comunicação não-violenta. Fazer o pedido DEPOIS de ter expressado seus sentimentos e necessidades aumenta as chances de a pessoa que está ouvindo não entenda seu pedido como uma exigência.

Para fazer um pedido consciente, é preciso que as observações, sentimentos e necessidades estejam muito claras.

Formular pedidos em linguagem clara, positiva e com ações concretas, revela o que realmente queremos. Entrar para fazer o pedido sem saber o que queremos, resultará apenas em um desabafo.

Não há nada de construtivo ao dar “dicas” e fazer rodeios esperando que a pessoa entenda suas necessidades.

  • Pedido x Exigência

Não há espaço para exigências na Comunicação Não-Violenta. Somos pessoas livres, e as pessoas com quem convivemos também são livres para escolher o que for melhor para elas.

Para saber se estamos fazendo um pedido ou uma exigência, basta analisarmos nosso comportamento interno ao imaginar o outro dizendo “não”. Seremos capazes de respeitar a escolha dele?

“Exigências são um convite à revolta e à disputa de poder.”

Jane Nelsen

Além disso, precisamos procurar dentro de nós qual o objetivo maior do nosso pedido. Buscamos mais aprimorar a qualidade do relacionamento, ou simplesmente mudar a pessoa e seu comportamento?

Durante as fases iniciais do aprendizado desse processo, podemos nos flagrar aplicando os componentes da Comunicação Não-Violenta mecanicamente. Assim como quando estamos aprendendo um novo idioma, é com a prática que adquirimos fluência.

 

A Comunicação Não-Violenta pode ser considerada uma ferramenta ou técnica de comunicação, possível de ser praticada e aprendida. Entretanto, precisamos sempre ter a consciência do propósito subjacente da aplicação da Comunicação Não-Violenta, que é o estabelecimento de relacionamentos baseados na sinceridade e na empatia.

Você pôde ver que aplicar a Comunicação Não-Violenta não consiste em “apenas 4 Passos infalíveis para ter sucesso em seus relacionamentos”. Trata-se também de uma jornada rica e surpreendente, que torna inevitável o encontro com você mesm@, e com a sua história de vida.

Para aprender mais sobre a Comunicação não-violenta, assista o vídeo abaixo pelo próprio criador Marshall Rosenberg sobre como expressar sentimentos e necessidades:

Comunicação Não-Violenta: Como criar conexões verdadeiras no Trabalho

Uma comunicação consciente que é capaz de se conectar com o outro, transforma qualquer conflito em oportunidades incríveis de crescimento, isso é a chave do sucesso de qualquer empresa no mundo atual.

Você sabe o que é a Comunicação Não-Violenta?

Comunicação não violenta (CNV) é uma metodologia criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg que tem como objetivo resolver e transformar conflitos por meio de técnicas que estimulam a compaixão e a empatia, reduzindo assim o estresse e a frustração do dia a dia.

Fofocas, falta de diálogo, críticas excessivas, rótulos e ironias são frequentes no seu ambiente de trabalho? Se você respondeu sim, talvez esteja na hora de descobrir algumas dicas práticas  capazes de transformar qualquer relacionamento.

Comunicação não violenta (CNV) é uma metodologia criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg que tem como objetivo resolver conflitos por meio de técnicas que estimulam a compaixão e a empatia, reduzindo assim o estresse e a frustração do dia a dia.

Os 4 compomentes da Comunicação Não-Violenta (Cnv)

A Comunicação não violenta tem como base quatro componentes que, quando colocados em prática, têm o poder de mudar as relações entre as pessoas. Além de gerar um ambiente interno de trabalho mais agradável, esses pilares também podem trazer mais produtividade e resultados para sua agência.

São eles:

1. Observação sem julgamento

Foque nos fatos e deixe o julgamento de lado. Na reunião de feedback, ao invés de dizer “você sempre se atrasa”, formule frases específicas e concretas, sem generalizações, como por exemplo: “nas últimas três semanas você chegou mais de meia hora atrasado para nossas reuniões semanais”.

2. Nomeie seus sentimentos

O segundo passo é compreender os sentimentos que estão por trás das observações realizadas. Faça uma autorreflexão, identifique seus sentimentos e expresse-os de maneira clara. Por exemplo: “quando você chega atrasado sem avisar, eu me sinto desrespeitado”. Dessa forma, cria-se mais empatia e abre-se um canal de comunicação direto e sincero entre os envolvidos.

3. Identifique e comunique suas necessidades

Quais necessidades estão por trás dos seus sentimentos e atitudes? Nossas ações são embasadas em fortes motivações. Por exemplo, caso o fato de seu liderado chegar atrasado a uma reunião faça com que você se sinta desrespeitado, provavelmente a real necessidade por trás dessa situação é a de sentir-se respeitado e valorizado.

Nossos sentimentos sempre expressam necessidades: confiança, respeito, aceitação, compreensão, acolhimento etc. É fundamental que você identifique suas próprias necessidades e compreenda as necessidades dos outros. Por que ela age desta forma? Quais necessidades estão por trás da atitude dela? Questione-se.

4. Peça ao invés de mandar

Expresse suas necessidades em forma de pedidos claros, tangíveis e objetivos. Use sempre uma linguagem positiva. Ao invés de dizer “não chegue mais atrasado!”, diga “gostaria que você chegasse no horário para nossas reuniões”. Também certifique-se de que a outra pessoa entendeu o seu pedido, perguntando ao final da conversa: “então só para fecharmos, o que ficou definido?”.

4 dicas para praticar a Comunicação Não-Violenta no trabalho

“Seja o que for que você pense, acho que é melhor dizê-lo com boas palavras.”

(William Shakespeare)

Muitas vezes, a forma como dizemos algo é mais importante do que o conteúdo . Embora seja comum nos deixar levarmos pela raiva ou qualquer sentimento negativo na hora de falar algo para alguém, é necessário nos controlar para não deixar as emoções falarem mais alto do que a mensagem. Mudar nossos hábitos não é tarefa simples, mas aos poucos e com a prática diária, vamos substituindo hábitos antigos e nos tornando comunicadores mais conscientes, empáticos e flexíveis.

Algumas dicas que podem te auxiliar a colocar isso em prática:

1. Ouça mais e fale menos

Ser um bom ouvinte requer certo treino. É preciso ter uma mente aberta, livre de julgamentos e estar disponível para receber o que o outro tem a dizer. Fique atento ao que o outro está dizendo, seja acolhedor e certifique-se de que a outra pessoa está confortável na sua presença.

2. Foque mais na solução e menos no problema

Estimule sua equipe a pensar fora da caixa para encontrar soluções inovadoras e criativas para os problemas do dia a dia. Ao invés de discutir excessivamente o problema, que tal realizar uma sessão de brainstorming para encontrar a solução? Assim, sua equipe sai de um estado de frustração e desânimo e direciona as energias para a criação de algo novo. Com incentivos otimistas a criatividade é estimulada.

3. Inclua dinâmicas curtas em suas reuniões semanais

Começar as reuniões semanais com uma atividade curta e descontraída é uma ótima ideia para quebrar o gelo e criar maior interação entre a equipe.

Por exemplo, uma dinâmica legal para gerar mais conexão entre o time é a de “Up’s and Down’s”. Nesse exercício, cada membro da equipe compartilha um up (algo bom) e um down (algo ruim) sobre a sua semana. Vale tudo, desde “O dia está ensolarado e eu amo o calor!” até “Fechei uma venda importante ontem”. Não importa se os acontecimentos estão relacionados ao trabalho ou vida pessoal, o importante é compartilhar. Essa prática, além de fazer o time se conhecer melhor, aumenta o senso de empatia e de compreensão entre todos.

4. Crie e disponibilize as políticas internas do seu negócio

Políticas de RH como férias, admissão, demissão, licença maternidade e paternidade, bem como políticas de reembolso, viagens, participação em eventos e trabalho remoto precisam ser claras e estar disponíveis aos funcionários a qualquer momento. Processos definidos minimizam conflitos e mal entendidos.

Benefícios da Comunicação Não-Violenta

Os pilares da Comunicação Não Violenta podem ajudar sua empresa a fazer mais negócios através da empatia no relacionamento com clientes e do marketing centrado no ser humano.

Além disso, a CNV melhora a comunicação interna da agência, reduzindo conflitos e aumentando o bem estar dos colaboradores. Como essa prática aumenta o sentimento de coletividade, o trabalho em equipe é estimulado e fortalecido.

As pessoas que praticam esse tipo de comunicação desenvolvem skills fundamentais para o mercado de trabalho, como: capacidade de se expressar com transparência e naturalidade, capacidade de analisar fatos e situações de maneira neutra, empatia e senso de comunidade. E é claro, essas skills são de extrema importância também para a vida pessoal.

A boa comunicação é um fator chave no sucesso de qualquer agência, portanto, comece já a aplicar a metodologia da comunicação não-violenta e colha os benefícios que ela pode trazer para sua equipe!

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Obstáculos para a Empatia – Qual é o seu?

A capacidade essencial na consciência social é a empatia – sentir o que os outros estão sentindo, antes mesmo que eles nos digam em palavras.

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Ter empatia é compreender respeitosamente o que os outros estão vivendo, é esvaziar a mente e ouvir com todo o nosso ser.

Ao nos relacionar com os outros, a conexão humana ocorre somente quando conseguimos nos livrar de todas as ideias preconcebidas e julgamentos a respeito deles. Por isso a presença que a empatia requer não é fácil de manter.

“A capacidade de dar atenção a alguém que sofre é uma coisa muito rara e difícil; é quase um milagre; é um milagre. Quase todos que pensam ter essa capacidade não a possuem.”

Simone Weil.

Em vez de empatia, tendemos a ter uma forte premência de dar conselhos ou encorajamento e de explicar nossa própria posição ou sentimento. A empatia, por outro lado, requer que se concentre plenamente a atenção na mensagem da outra pessoa.


Para que ter empatia?

Se é uma habilidade tão difícil, para que deveríamos nos esforçar para ter empatia?

Além de definir empatia e mencionar alguns inimigos dela, a especialista em CNV, Carolina Nalon, sugere uma resposta muito boa para esta pergunta em sua palestra TED “Para início de conversa”. Não deixe de assistir!

Ela responde esta pergunta “Para que ter empatia?”, desta forma: “Para início de conversa”.

Isso mesmo. Para que antes de RESPONDER ao que nos dizem, possamos COMPREENDER.

“Eu desejo, eu aspiro que a partir de hoje, vocês se sintam mais abertos e dispostospelo menos, para início de conversa, vocês serem Espaço”.

Carolina Nalon

Iniciar uma conversa com empatia com certeza nos fará ser melhores ouvintes. Sabe aquela pessoa que você procura quando precisa conversar? Há grandes chances de ela ser uma pessoa empática.

Como a intenção é compreender antes de responder, usar este recurso também nos ajuda a não nos precipitar, reduzindo os maus entendidos e os conflitos.

Num conflito já instalado, a ser empático é mais importante ainda. É a única forma de interromper o ciclo vicioso de ataque e defesa.


Obstáculos para a Empatia

Estes obstáculos são comportamentos muito comuns que nos impedem de estar presentes o bastante para nos conectarmos aos outros.

Todos nós em nossas relações humanas, já caímos neles. Muitas vezes, sem nem mesmo perceber. A consciência do que sentimos, pensamos e dizemos é o primeiro passo para sermos mais empáticos.

Veja alguns exemplos de cada obstáculo em situações hipotéticas, seguidos de uma sugestão que abra espaço para a conexão.

Não existe resposta “certa X errada”. Mas existem respostas que cedem espaço para que a pessoa continue motivada a se abrir, outras que funcionam como barreiras.

01. Aconselhar

Você se lembra de alguma conversa onde sua primeira reação foi aconselhar? Tentar ajudar a pessoa sem ela ter pedido ajuda, sem se certificar se ela queria sua ajuda, sem confirmar se você realmente entendeu a mensagem da forma correta?

Ou outros momentos em que tudo que você precisava era desabafar, mas o outro não permitia pois ele estava mais interessado em “te salvar” do que te entender.

02. Competir

Você já se viu nesta situação? Quando alguém compartilha com você uma experiência ruim pela qual ela está passando, mas você não consegue deixar de pensar em si mesmo. Na tentativa de ajudá-la a se sentir melhor, você a “consola” expondo situações que você considera piores. Mas na verdade, diminui a importância da experiência do outro e exalta a sua.

E outros em que você quer desabafar sobre alguma situação difícil que você está passando, e a pessoa fala sobre situações piores que as suas na tentativa de te ajudar. Você se sente na obrigação de se sentir grato de mesmo não estando bem (ou envergonhado por estar reclamando), pois “poderia ser pior”.

Ou também se ver tentando convencer o outro de que sua situação é difícil sim, e a conversa de torna uma competição de ambos os lados.

03. Educar

“Eu te avisei”. Como pode uma resposta dessa ser construtiva para quem quer desabafar?!

Isso é muito comum entre familiares. Não é a toa que conversas com familiares são as mais difíceis.

E muitas vezes, o que nos faz ser mais distantes deles do que de pessoas que criamos laços ao longo da vida.

04. Consolar

O consolo é encoberto por uma boa intenção, o que faz com que este obstáculo não pareça ser um. Mas é um obstáculo pois trata-se de uma fala que funciona como um ponto final ao que o outro diz. Além de ser resultado do desejo que a pessoa deixe de sentir o que ela está sentindo.

05. Contar uma história

Todo mundo conhece pessoas que tem uma grande necessidade de falar, de compartilhar suas experiências, seus pensamentos. E ela vê todas as conversas como oportunidades de satisfazer essa necessidade.

E quem nunca, não é? Tem alguns momentos que não estamos preparados para escutar, mas realmente precisando falar. É aí que caímos neste obstáculo.

06. Encerrar o assunto

Não apenas disso, mas comumente provém do grande mal da nossa sociedade: a falta de tempo. Escutar nos demanda atenção e dedicação. A conversa pode se prolongar de acordo com a necessidade do outro de falar.

Encerrar um assunto pode ser uma estratégia inconsciente também de pessoas que não estão preparadas para falar sobre aquele assunto, ou sentir aquele sentimento.

07. Solidarizar-se

Dizer “Ah, coitadinho” implica que já sabemos tudo que o outro está sentindo, pensando ou pedindo. Não dá espaço para que ela expresse isso.

Precisamos lembrar que a emoção/necessidade/pedido que você teria na situação mencionada, pode não ser a mesma do outro.

08. Interrogar

Quando permanecemos na praticidade, limitados ao plano da resolução dos problemas, a empatia dificilmente consegue entrar. É preciso querer compreender antes de resolver.

Esteja mais preocupado em compreender os sentimentos, necessidades e pedidos do outro, antes de satisfazer sua curiosidade, antes de definir um diagnóstico ou sugerir um tratamento para o problema do outro.

09. Explicar-se

Se você cai neste obstáculo, ainda está pensando mais em você do que em escutar e compreender o outro.

Antes de qualquer coisa, antes mesmo de entender o que está acontecendo, nós temos a necessidade de sentir nossas consciências limpas diante de algum imprevisto.

Muitas vezes, a outra pessoa nem mesmo associou o imprevisto com algum erro seu, ela só precisa expressar o que está sentindo.

10. Corrigir

É mais um exemplo de quando permanecemos no plano prático da situação, e negligenciamos os sentimentos, necessidades e pedidos do outro.

Principalmente em situações em que sentimos a necessidade nos defender de algum ataque, nossa empatia muitas vezes se esvai. Nestes casos, antes de corrigir a pessoa e se defender, é preciso controlar as emoções, procurar entender os sentimentos, necessidades e pedidos do outro, se quisermos chegar à resolução do conflito.


Afinal, como dar espaço para a Empatia?

Nos exemplos mencionados, perceba que o principal caminho foi parafrasear o que foi entendido, concentrando as questões no que o outro possa estar sentindonecessitandoou pedindo.

Se recebemos com precisão a mensagem da outra pessoa, nossa paráfrase confirmará isso para ela.

Por outro lado, se nossa paráfrase estiver incorreta, a pessoa terá a oportunidade de corrigi-la. Não se apegue a querer acertar, mas sim, se conectar.

Outra vantagem de escolhermos repetir a mensagem para a outra pessoa é que isso lhe dá a oportunidade de ouvir o que disse e tempo para refletir sobre.

Permanecendo em empatia, permitimos que nossos interlocutores atinjam níveis mais profundos de si mesmos.

É importante lembrar que reconhecer o sentimento, necessidade ou pedido do outro, não significa que você estará concordando com tudo que ele disse. Você pode manter suas opiniões – muitas vezes contrárias – respeitando e permitindo o outro de sentir seus sentimentos.