O que é comunicação não violenta e como transformar o conflito nas relações

CNV é a sigla utilizada para denominar a Comunicação Não Violenta, a qual foi estruturada pelo psicólogo Marshall Rosenberg. Ele começou a investigar mais as relações humanas e a forma como nos comunicamos. Diante de suas investigações, Marshall estruturou a CNV em quatro pilares, como um “mapa” para uma comunicação mais efetiva entre a pessoas. Os quatro passos estruturais da CNV são: observação, sentimento, necessidade e pedido. Diante destes quatro pilares, como colocá-los em prática na vida diária? Confira a seguir!

A CNV em uma situação cotidiana

Vamos imaginar uma situação cotidiana para conseguirmos desmembrá-la e identificar cada um dos quatro passos, e em seguida nos atentarmos mais profundamente em cada um dos pilares da CNV para podermos enxergar com maior clareza como é possível aplicá-la no dia a dia. 

Imaginemos a seguinte situação: um colega de escritório de Luiz tem colocado alguns documentos novos, que ambos utilizam em suas rotinas de trabalho, em um lugar que Luiz considera inapropriado. Isto tem acontecido nos últimos cinco dias. Luiz tem se sentido irritado. Na manhã do sexto dia em que isso se repete, Luiz olha para o colega de trabalho e diz: “Você é desorganizado. Isso é irritante.” 

Nesta circunstância, conseguimos identificar que na fala de Luiz não houve uma observação, e sim uma avaliação ao dizer: “Você é desorganizado.” A observação dentro dos pilares da CNV, seria de maneira a apenas identificar e descrever o ocorrido: “Nos últimos seis dias você tem deixado os documentos novos em um local que considero inapropriado e de difícil acesso.”

Conseguimos verificar também que Luiz não comunicou o seu sentimento ao dizer “Isso é irritante”. Uma maneira que ele poderia ter utilizado para comunicar como se sente diante destas circunstâncias poderia ser: “Fico irritado quando vejo os documentos guardados neste canto do armário.”

Na fala de Luiz também não houve a comunicação de sua necessidade nem de seu pedido diante destas circunstâncias. Para dizer sua necessidade e fazer um pedido, ele poderia ter dito: “Quero que nossos documentos novos sejam guardados com segurança e que fiquem mais acessíveis (necessidade). Você estaria disposto a combinarmos um novo local para guardarmos esses documentos? (pedido)

Ampliando o olhar sobre a “observação”

Quando falamos do primeiro passo, a observação, costumamos ter o primeiro pensamento de que é algo bem simples, temos a sensação de que fazemos isto a todo momento. Será? Aqui Marshall traz a observação de uma forma um pouco diferente, em que observamos atentamente o que está acontecendo em determinado momento da maneira mais neutra possível e sem julgamentos ou avaliações. 

Nossa mente está acostumada a trazer pré-julgamentos junto com nossas observações cotidianas. Importante ressaltar que todos temos juízo de valor, e que isso é inerente ao ser humano . O julgamento é algo diferente do juízo de valor, já que afasta a possibilidade da escuta empática, desvalida o interlocutor e consequentemente suas necessidades dele. Percebe que desta maneira o diálogo se perde, já que anulamos a possibilidade de o outro existir verdadeiramente para nós com suas necessidades e desejos?

Para aplicar a observação em sua vida, é necessário começar a praticar o olhar de observador mais atento e consciente aos fatos que estão ocorrendo, com o menor julgamento ou avaliação possível. 

o que é comunicação não violenta

Identificando o “sentimento”

O segundo componente da CNV é expressar como nos sentimos. Se pararmos para analisar o número de palavras que utilizamos para rotular as outras pessoas, nos damos conta que é muito maior que nosso repertório para descrever claramente nossos estados emocionais. Em nossa sociedade aprendemos desde cedo que os sentimentos não são considerados importantes, mas que devemos nos atentar a forma considerada correta de pensar e agir. 

Vamos nos acostumando a nos direcionar para os outros, buscando nos modelar de acordo com o que acreditamos que esperam de nós “o que as outras pessoas acreditam que seja certo eu dizer ou fazer?” Acabamos não entrando em contato com nós mesmos, com nosso interior, com nossos sentimentos. Por isso, identificar um sentimento em determinada situação requer prática diária, já que muitas vezes não estamos atentos e realmente conscientes sobre nossos sentimentos. Se nós mesmos não estivermos inteirados sobre o que sentimos, fica impossível a comunicação genuína para nosso interlocutor.

Marshall ressalta que existe uma confusão em nossa linguagem no uso do verbo sentir, que costumeiramente é usado sem realmente expressar algum sentimento. Ele salienta que utilizamos o verbo sentir em muitas situações em que estamos falando sobre o que pensamos, nestas circunstâncias  o verbo sentir pode ser facilmente substituído por penso, creio ou acho: “Sinto que não fechei um contrato justo.” 

Para aplicarmos este segundo componente da Comunicação Não Violenta é necessário desenvolvermos um vocabulário de sentimentos que nos permita identificar ou nomear de forma clara e específica o que sentimos. Expressar nossos sentimentos de maneira genuína nos conecta mais facilmente uns com os outros. Quando permitimos ser vulneráveis por comunicarmos nossos sentimentos, estamos ajudando a resolver conflitos.

Entrando em contato com a “necessidade”

Neste terceiro componente da CNV está o reconhecimento das necessidades que estão por trás de nossos sentimentos. As circunstâncias que ocorrem ou o que as outras pessoas dizem podem ser o estímulo, mas não a causa do que estamos sentindo.

Pode parecer assustador revelarmos nossas necessidades em uma sociedade que nos ensina a ignorar nossas próprias necessidades para atender as necessidades das outras pessoas. Marshall diz que “todo ato violento é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida.” O psicólogo também enfatiza que uma maneira de aumentar exponencialmente a possibilidade de atender às necessidades de todos é as pessoas começarem a falar mais sobre o que precisam em vez de falarem sobre o que está errado com os outros.

Marshall estruturou uma lista de necessidades humanas básicas que todos compartilhamos, sendo algumas delas: autonomia, interdependência, abrigo, integridade e lazer.Muito do que sentimos em nossas emoções negativas é porque alguma necessidade não está sendo atendida. Cabe a nós estarmos atentos em nossas rotinas sobre as necessidades que estão por trás do que sentimos para assim conseguirmos conectar nossos sentimentos a nossas necessidades. 

O que abre espaço para a outra pessoa agir compassivamente, já que estaremos comunicando nossa autorresponsabilidade pelo o que sentimos, que identificamos nossa necessidade por trás do nosso sentimento ao invés de culparmos a outra pessoa.

Importante também estarmos atentos sobre qual a necessidade que a pessoa com quem dialogamos está trazendo em suas falas. Desta maneira podemos verificar com ela se é mesmo a necessidade que imaginamos e criar aproximação e conexão no diálogo, já que você estará expressando abertura para compreender seus sentimentos e desejos. “Você está tentando me dizer que precisa ter mais tempo de lazer durante a semana, é isso?”

Fazendo pedidos

O quarto elemento da CNV é o pedido. Após a observação, sentimento e necessidade, chegou o momento de fazermos um pedido ao nosso interlocutor. Precisamos nos atentar na forma em que realizamos este pedido, já que muitas vezes não o expressamos com clareza. Aqui devemos evitar frases vagas, ambíguas, abstratas. Outro ponto importante é dizermos o que estamos pedindo, em vez de o que não estamos.

O pedido não é uma exigência, sendo interessante indicarmos nosso desejo de que nos atendam apenas se puderem, de livre vontade. A CNV tem como objetivo estabelecer relacionamentos baseados em honestidade e empatia, e não em conseguir o que queremos. A intenção é de que todos tenham suas necessidades atendidas. Quando escolhemos pedir não significa que devamos desistir sempre que alguém responder não à nossa solicitação, mas que estaremos com a intenção de oferecermos nossa empatia para com o que está a impedindo de dizer sim.

Ao dizermos: “Gostaria que você demonstrasse respeito por minha privacidade”, estamos sendo vagos em nosso pedido. Poderíamos dizer: “Gostaria que você concordasse em bater na porta antes de entrar em minha sala de reuniões”.

Colocando os 4 passos da CNV em ação

Diante desses quatro passos é possível exercitar a CNV, tornando nossa comunicação mais consciente e menos reativa. Com o tempo se torna uma prática e atitude natural no modo de se comunicar, a pessoa vai se apropriando cada vez mais de suas necessidades e sentimentos, conseguindo expressá-los mais genuinamente. Assim como conseguindo atuar com a observação neutra e realizando pedidos mais honestos e objetivos.

Esta forma de se comunicar, a partir dos pilares da Comunicação Não Violenta, baseia-se em habilidades de comunicação e linguagem. Quando utilizamos os quatro passos da CNV passamos a reformular nossa maneira de ouvir as outras pessoas e também de nos expressarmos com elas. Aqui começamos a abrir um campo de comunicação mais frutífero, já que estaremos atentos e conscientes ao que acontece dentro de nós e em nossa percepção sobre o outro, estaremos mais disponíveis para o real diálogo em que a compreensão mútua está sendo almejada. 

Diferente de quando iniciamos uma conversa querendo competir, querendo estar certo ou apenas jogar palavras ao vento. A possibilidade de termos respostas mais conscientes se amplia enormemente, assim como a compreensão do interlocutor do que estamos querendo expressar. Amplia as chances da comunicação acontecer com maior clareza, gerando mais aproximação e conexão em nossas relações cotidianas.

O Legado de Marshall Rosenberg – A Comunicação Não Violenta

A Comunicação Não Violenta (CNV) começou a ser utilizada nos anos 60, inicialmente em projetos federais do governo americano, com o intuito de integrar de forma pacífica escolas e instituições públicas. O psicólogo que estruturou a CNV, Marshall Rosenberg, vivenciou situações de violência em sua infância e por conta disso, começou a questionar nossa forma de nos comunicarmos. 

Em sua vida adulta, passou a investigar as relações humanas no intuito de buscar ferramentas que pudessem proporcionar maior engajamento e paz nas relações. Marshall Rosenberg e sua equipe, durante mais de 40 anos, criaram sistemas de apoio à vida nas relações intra e interpessoais. 

Você conhece o legado de Marshall Rosenberg e da Comunicação Não Violenta pelo mundo? Descubra agora!

A clareza da CNV sobre as relações humanas

A CNV vem sendo utilizada nos mais diversos setores da sociedade há mais de 50 anos. Cresce cada vez mais o número de pessoas que a utilizam com o desejo de intervir e agir em favor da paz, utilizando práticas que se demonstram eficazes. A observação da CNV sobre a crescente violência no mundo, é de que estamos agindo e nos relacionando de forma desalinhada de nossos verdadeiros valores.

Ao longo de seus trabalhos, Marshall percebeu como possuímos formas culturais predominantes ao nos comunicarmos, tanto com nós mesmos quanto com as outras pessoas. O que acaba nos levando a conflitos com familiares, colegas, amigos, ainda mais com pessoas de opiniões ou culturas diferentes. Desta maneira, acabamos nos inserindo em ciclos de emoções dolorosos e repetitivos.

A CNV, de forma notadamente prática, oferece alternativas claras aos diversos conflitos que estamos acostumados a permanecer no fundamento destrutivo da punição, raiva, culpa e vergonha.

O eixo central da Comunicação Não Violenta para relações harmoniosas

No cerne da Comunicação Não Violenta está a dinâmica que dá fundamento à cooperação. Todos nós, seres humanos, agimos para atender necessidades e valores básicos e universais. A partir desta constatação, abrimos a possibilidade de enxergarmos a necessidade, a mensagem por trás das palavras e atitudes nossas e das outras pessoas, independente de como são comunicadas.

 Desta maneira, ao recebermos rótulos, críticas, julgamentos dos outros, atos de violência (verbal, física ou social), passamos a recebê-las como expressões trágicas de necessidades não atendidas. Quando percebemos que temos necessidades universais (pertencimento, autonomia, abrigo, segurança, etc) em momentos diferentes, vamos nos dando conta que somos muito parecidos e que travamos confronto com nós mesmos e com os outros por não termos aprendido a nos comunicarmos de forma eficiente ao longo de nossas vidas.

Nossos pensamentos e palavras deveriam se direcionar na busca de identificar as necessidades que nosso interlocutor está tentando comunicar por trás de suas palavras e atitudes. Assim como exercitarmos a identificação de nossas próprias necessidades ao nos comunicarmos com alguém.

Quanto mais praticamos, mais clareza vamos tendo acerca do que se passa dentro de nós e a nosso redor, o que consequentemente contribui para relações mais harmoniosas e em um âmbito mais amplo, para uma sociedade mais harmônica.

A CNV em diversos espaços e setores da sociedade mundial

O psicólogo Rosenberg e sua equipe desenvolveram sistemas de apoio dentro dos mais diversos espaços e com os mais variados profissionais de áreas distintas: professores, administradores escolares, profissionais da saúde, sistemas jurídicos, detentos, policiais, guardas, gerentes de empresas, líderes religiosos (judeus, cristãos, muçulmanos e budistas), autoridades governamentais, entre outros, em mais de 50 países.

A CNV se mostra eficiente dentro das mais diversas instituições ao possibilitar, além de mediação pessoal, mudanças estruturais no modo de encarar e organizar as relações humanas nestes espaços, diminuindo a chance de confrontos ou dinâmicas de grupo opressivas.

Na educação, a Comunicação Não Violenta vem sendo implementada em diversos países, por meio de programas que visam o fortalecimento da convivência e noções de cidadania. Na Itália é reconhecida pelo Ministério da Educação, já em Israel é aplicada em creches e integra o programa do Ministério de Educação para prevenção de violência. 

Assim como é a base estrutural de um novo conceito de escola na Alemanha, Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, entre outros países. Na Sérvia, em parceria com a UNICEF, a CNV foi inserida em todas as escolas de segundo grau. 

No Brasil, encontramos círculos de resolução de conflitos em 10 escolas no bairro de Heliópolis, e 10 instituições escolares no município de Guarulhos utilizam a Comunicação Não Violenta como ferramenta de fortalecimento da cultura de paz e responsabilidade social, apoiando na resolução da dicotomia punição/impunidade dentro de um projeto da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

 No setor de segurança, é possível encontrar a CNV em penitenciárias do Reino Unido, da Suécia, Estados Unidos e Alemanha, como parte de programas para guardas e detentos e vem sendo cada vez mais utilizada no processo de reintegração de ex-presidiários. A Comunicação Não Violenta integra a formação de membros da Força Não Violenta de Paz, trata-se de um grupo internacional que apoia a transformação pacífica, estando presente em situações de conflito armado. Em vida, Marshall viajava para mediar conflitos e levar programas de paz a regiões em guerra, como Ruanda, Sérvia e Croácia.

Há alguns anos, no Brasil, o Ministério da Justiça, secretarias de educação e a Unesco elegeram a CNV para capacitação de agentes de mudança social em 6 estados e para projetos de Justiça Restaurativa. Além de integrar setores da educação, segurança e justiça, a CNV vem sendo inserida inserida no mundo empresarial, na área da saúde (entre médicos, psicólogos, enfermeiros, etc) e na gestão pública

O Centro para a Comunicação Não Violenta (CNVC), criado por Marshall Rosenberg em 1984, tem trilhado um caminho de disseminação eficaz deste conhecimento da comunicação compassiva nas mais diversas comunidades. Desta maneira, conseguimos vislumbrar cada vez mais cidadãos pelo mundo utilizando a Comunicação Não Violenta como norteadora em suas vidas familiares e comunitárias, fornecendo meios para que as diferenças sejam respeitadas.

Atuando desta forma, as pessoas estão contribuindo para uma mudança na relação entre as pessoas e ampliando a visão de mundo, indo do gerenciamento de conflito em direção ao desenvolvimento da consciência humana, a qual possui competência pessoal e social para desenvolver habilidades para o convívio compassivo.

cnv no trabalho

Atenção nas relações de trabalho: Comunicação Não Violenta em ação

Quem nunca passou por situações e conversas difíceis em seu ambiente de trabalho? Para quem é mais difícil, líder ou colaborador? Quais as formas mais usuais de relações nas empresas ainda hoje?

A sensação comum que a maioria de nós já experimentou nessas circunstâncias dentro de uma instituição, seja como colaborador ou líder, foi de distanciamento, de não pertencimento e a sensação de falta de um canal efetivo de comunicação.

A maior parte das empresas acredita estar aberta ao diálogo interno com todos os membros da equipe, muitas vezes até repetem isso incessantemente, criando a impressão de que assim o canal de diálogo já existe. A intenção existe, o próximo passo seria o engajamento para a construção desse canal efetivo de comunicação e relação. Assim essa realidade torna-se possível dentro das relações entre os membros da equipe.  

Inseridos em uma rotina de atividades no ambiente de trabalho, com o passar do tempo é comum que não se permaneça atento ao próprio modo de agir e manejar as situações diárias. Menos atentos ainda à linguagem institucional do local, e acabamos muitas vezes por reproduzir um padrão de comunicação que nem sempre condiz com o que gostaríamos ou acreditamos ser melhor ou eficaz.

Isso acontece também pela praticidade que a rotina de trabalho acaba por vezes requerendo, e a comunicação e relações que são potenciais pilares sólidos para um ambiente mais produtivo, ficam para trás. 

Pedidos práticos do dia a dia feitos dentro dos preceitos da Comunicação Não Violenta (CNV) têm mais eficácia de serem atendidos com maior engajamento, já que é exposto para o interlocutor a real necessidade desse pedido, como também o sentimento envolvido para um dos membros da equipe ou para o grupo como um todo. Como alguém poderia se sentir engajado sem ao menos entender a importância de sua atividade dentro da equipe ou daquela dada circunstância?

Vivemos um momento de transição nas grandes empresas, em que muitas vêm repensando os fatores subjetivos nas relações institucionais que interferem na produtividade e lucratividade. Passou-se o tempo em que comissão e participação nos lucros mantinham alguém envolvido e oferecendo seu real potencial em seu ambiente de trabalho. 

Grandes empresas que vêm acompanhando as pesquisas sobre desenvolvimento humano no trabalho, estão alterando espaço físico, forma de manejar conflitos e a linguagem institucional. Por mais que não nos demos conta, se pararmos para refletir começamos a perceber e identificar a linguagem institucional de dada instituição de onde integramos alguma equipe. Essa linguagem é construída no dia a dia e retroalimentada, muitas vezes inconscientemente, pelas diversas pessoas que integram o grupo . 

Para de fato criarmos um espaço saudável e produtivo, sem dúvida a CNV é a ferramenta que vem cada vez mais sendo utilizada e efetiva nos resultados, trazendo estruturas sólidas para criar o real senso de equipe. 

Em outras palavras, não adianta eu dar recursos materiais se as necessidades das pessoas são diversas e em sua maioria impalpáveis.         

Claro que não seria possível satisfazermos todas as necessidades individuais de um determinado grupo, porém os estudiosos do desenvolvimento estão nos mostrando que possuímos necessidades muito parecidas. Se estivermos atentos, podemos criar formas na rotina relacional que envolvam essas necessidades.

Algumas das necessidades humanas básicas que Marshall Rosenberg, criador da Comunicação Não Violenta,  elencou após suas investigações são:

-Autonomia  

-Integridade (autenticidade, autovalorização, criatividade, significado)

-Interdependência (aceitação, apoio, apreciação, compreensão, confiança, consideração, empatia, encorajamento, honestidade, proximidade, respeito, segurança emocional)

-Lazer (diversão, riso)

-Comunhão espiritual (beleza, harmonia, inspiração, ordem, paz)

-Necessidades físicas (abrigo, água, alimento, ar, descanso, movimento, exercício).

Ao observarmos essa lista é bem provável que nos demos conta de alguma circunstância em que tivemos uma ou algumas dessas necessidades não atendidas e que não as comunicamos. Também que tenhamos percebido que alguém indiretamente tentou nos comunicar alguma necessidade e não tenhamos compreendido totalmente. 

Percebemos também que podemos criar situações e conversas que favoreçam esses itens com atitudes e manejos diários, isso começa pela forma de nos comunicarmos. No ambiente de trabalho solicitações são feitas a todo momento, com maior clareza sobre as necessidades envolvidas, o pedido pode ser feito e recebido com maior compreensão, e assim maior a possibilidade de não se tornarem exigências sem significado algum para o interlocutor. 

O pedido é o  quarto e último item a ser realizado dentro das técnicas da Comunicação Não Violenta, que se expressado de maneira clara possui maior potencial de criar proximidade e empatia. Nos três passos anteriores que integram a CNV estão: 

1) Observação

2) Sentimento

3) Necessidades

Na observação apenas observamos a situação que está acontecendo, ao que estão dizendo ou fazendo sem interpretações, depois tomamos consciência do nosso sentimento nesse momento, em seguida nos questionamos sobre qual a nossa necessidade em relação a essa circunstância. 

Vamos imaginar uma situação em que o colaborador se organiza para realizar e entregar suas atividades dentro do prazo estipulado pelo gestor, porém o gestor não consegue entregar o material necessário para o colaborador prosseguir com o trabalho. Acaba por corroborar para o colaborador passar noites acordado para entregar dentro do prazo estipulado, o que criaria uma situação desconfortável para esse colaborador, não é mesmo? O colaborador poderia falar para o gestor: “Você nunca cumpre o prazo que combinamos”. Com essa fala, a possibilidade de um diálogo desconfortável acontecer se tornaria ainda maior. 

Uma possível maneira de falar sobre as circunstâncias da forma mais neutra possível, comunicando sentimento e necessidades após identificá-los, poderia ser: “Nas últimas três semanas recebi os materiais para prosseguir com as atividades solicitadas dois dias depois do estabelecido no cronograma que fizemos juntos. Por conta do pouco tempo que sobra para eu realizar o trabalho, percebo que não estão saindo da melhor maneira que poderiam (observação). Venho me sentindo um pouco desanimado (sentimento) com esse projeto. Gostaria de alinhar os prazos para conseguir realizar tudo da melhor maneira (necessidade). Seria possível revermos o cronograma (pedido)?”

Em outra situação usual no ambiente de trabalho que poderíamos pensar na atuação da CNV seria naqueles momentos em que o gestor faz um pedido que não costuma fazer para um determinado membro da equipe, e não expressa em seu pedido a necessidade de estar pedindo algo não usual em uma situação de urgência. “Recolhe esses dados e envia para o setor “X” em duas horas”. Além de o colaborador não compreender o real motivo do que está sendo pedido, essa forma exclui o colaborador da situação vigente, o impedindo até de poder dar o seu melhor caso tivessem concedido a ele a possibilidade de compreender as circunstâncias.

O gestor poderia dizer algo assim: “Recebemos um relatório dizendo que não cumprimos o prazo estipulado e nos ameaçaram de processo judicial. Porém sei que cumprimos o prazo, fizemos juntos esse projeto (observação). Estou preocupado com essa situação (sentimento), pois nossa equipe perderia a credibilidade que temos. Preciso ver que estamos agindo com rapidez (necessidade). Você poderia enviar esses dados descritos para o setor X da melhor maneira e o mais rápido possível?”

Ainda hoje soa estranho falarmos de elementos como proximidade e empatia dentro do ambiente de trabalho, como se não pudessem fazer parte da área profissional. Parece que vínhamos nos esquecendo por um bom tempo que somos seres humanos com inúmeros potenciais e que antes de tudo somos seres sociais, ou seja, que existimos na relação com o outro. 

       A comunicação Não Violenta resgata e possibilita a existência de relações positivas em que visualizamos e validamos nossas necessidades e as dos outros. Em uma equipe isso gera um sentimento de “nós, de consideração, confiança, de segurança emocional para agir em conformidade com o todo da equipe. 

Afinal por que a CNV é interessante de ser inserida também no ambiente profissional? Por ela maximizar o envolvimento, respeito e engajamento, aumenta também a produtividade. As relações baseadas em medo de punição criam um espaço de competitividade, baixa cumplicidade e engajamento. Acaba-se gastando mais tempo em “apagar incêndios”, conversas e reuniões cansativas e pouco produtivas. 

Pessoas engajadas costumam produzir em um menor espaço de tempo e com maior aproveitamento de suas habilidades, já que elas têm espaço para serem expressadas. Tanto gestores como colaboradores querem um ambiente harmonioso para todas as pessoas envolvidas no trabalho, independente do cargo, já que maximiza o envolvimento e produtividade. 

No local em que costumamos passar mais horas semanais, podemos sem dúvida nos engajar para que essa transformação atual na gestão de equipes se espalhe para dentro da maior parte das empresas, contribuindo para maior produtividade, saúde e para uma sociedade melhor.

Quatro passos da CNV para transformar suas relações do caos à paz possível 

Já aconteceu com você de iniciar um diálogo disposto a ser compreendido ou a compreender o outro e sair com a sensação contrária, de distanciamento, como se tivessem conversado em uma língua desconhecida por ambos? 

 Talvez essa sensação seja a mais comum, talvez apenas a gente sinta, talvez seja propulsora de transformação.

Quantas vezes em nosso dia a dia desejamos ter conversas enriquecedoras, leves ou esclarecedoras com as pessoas e acabamos por experimentar o oposto?

 Sem dúvida alguma a maioria de nós já passou por algumas dessas experiências de maneiras bem parecidas, afinal somos muito parecidos em nossos comportamentos no momento de nos relacionarmos. Ainda mais por termos necessidades semelhantes em circunstâncias diferentes quando nos comunicamos em nossas relações.

Você gostaria de ter relações e conversas mais enriquecedoras e harmoniosas? Gostaria de encontrar uma forma de se expressar com maior clareza? Aqui você vai encontrar um guia prático e objetivo com os quatro pilares estruturais da Comunicação Não Violenta (CNV) e assim poder colocar em prática em suas relações cotidianas essa ferramenta que tem sido utilizada com êxito nos mais diversos contextos: familiar, escolar, institucional, relacionamentos íntimos etc. 

Interessante lembrar que a CNV foi estruturada pelo psicólogo Marshall Rosenberg, que após vivenciar situações de violência em sua infância começou a questionar a forma com que nos comunicamos, e na vida adulta se tornou um investigador das relações humanas, buscando ferramentas que pudessem proporcionar maior engajamento e paz nas relações. Em vida, ele viajava para mediar conflitos e levar programas de paz a regiões em guerra, como Ruanda, Sérvia e Croácia. 

A Comunicação Não Violenta é baseada em habilidades de comunicação e linguagem e nos ajuda a reformular a maneira pela qual ouvimos os outros e nos expressamos. Abre a possibilidade de termos respostas mais conscientes, baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando. Amplia nossas chances de nos expressarmos com honestidade e clareza, e assim tornar nossas conversas em um meio de aproximação, conexão e transformação em nossas relações. 

A maior parte dos conflitos acontece por não estarmos atentos e conscientes da maneira com que nos expressamos e ouvimos em nossas relações, afinal fomos acostumados a fazer isso de forma automática e não responsiva. Nas divergências cotidianas nos acostumamos a procurar culpados e não por seres humanos que possuem necessidades tão parecidas com as nossas e que podem ser expressadas, compreendidas e propulsoras de relacionamentos mais saudáveis e leves.   

Os 4 elementos estruturais da Comunicação Não Violenta

4 passos da comunicação não violenta

Aqui vamos encontrar os quatro elementos em que a CNV está estruturada. Existe essa divisão, porém com a prática começamos a perceber que muitas vezes os quatro passos podem acontecer de maneira simultânea.

  1. Observação
  2. Sentimento
  3. Necessidade
  4. Pedido

Para podermos realizar o quarto componente precisamos identificar e expressar os três anteriores. Em uma situação cotidiana familiar uma mãe poderia expressar essas três coisas ao filho adolescente dizendo, por exemplo: “Pedro, quando eu vejo dois pratos sujos no sofá e mais três copos na mesa da televisão (observação), fico irritada (sentimento), porque preciso de mais organização no espaço que usamos em comum (necessidade). Ela poderia continuar com o quarto componente fazendo um pedido específico: “Você poderia colocar as louças sujas na pia ou na lava-louças?” O pedido específico acaba por clarificar o que estamos querendo da outra pessoa para enriquecer nossa vida ou deixá-la mais incrível.

Vamos agora falar sobre cada um dos quatro elementos.

Observação

O primeiro passo para começar a praticar a CNV em determinado momento de sua rotina é observar o que de fato está acontecendo naquela situação da maneira mais neutra e atenta possível, sem julgamento ou avaliação. Todos nós temos juízo de valor, que é como refletimos e determinamos o que acreditamos ser melhor e importante na vida, e isso é necessário e imprescindível para nossa identidade. O julgamento se difere do juízo de valor, uma vez que julga e afasta a possibilidade da escuta empática, desvalidando o interlocutor e consequentemente suas necessidades. Para criar conexão e aproximação em uma conversa é preciso estar disponível para observar a situação e em como ela reverbera interiormente. O que estamos vendo os outros dizerem ou fazerem que é enriquecedor ou não para nossa vida? E simplesmente dizer o que nos agrada ou não naquela situação.

Exemplo: “Nas duas últimas vezes que combinamos de tomar café, você chegou uma hora depois sem me avisar que se atrasaria…” Neste exemplo foi dito as circunstâncias de maneira neutra. Diferente de dizer: “Você sempre se atrasa.”  

Sentimento

Nesse segundo passo nos atentamos a como nos sentimos nessa situação que estamos vivenciando, qual sentimento identificamos ao observar aquela ação. Estamos habituados a não nos atentarmos e muito menos a falarmos dos sentimentos que as circunstâncias nos despertam. 

O usual é identificarmos e falarmos sobre comportamentos e atitudes. Identificar e comunicar os sentimentos em determinada situação, amplia a possibilidade de gerar aproximação e empatia. Como também nos traz maior clareza sobre nós mesmos nas diversas circunstâncias e a como costumamos responder a elas de maneira automática, sem termos nos dado conta do sentimento que despontou. 

Importante lembrar que uma situação nunca é o que nos desencadeia um sentimento, a situação pode apenas ser um estímulo, mas nunca a causa de como nos sentimos. 

Exemplo: “Nas duas últimas vezes que combinamos de tomar café, você chegou uma hora depois sem me avisar (observação). Quando isso acontece percebo que me sinto irritado (sentimento).” 

Necessidade

Após observarmos a situação atentamente e identificarmos o sentimento, o terceiro passo é reconhecermos qual necessidade está ligada a  esse sentimento. O Marshall Rosenberg diz que por trás de todo comportamento existe uma necessidade e que por trás de todo comportamento agressivo existe uma necessidade não atendida.  

Se pararmos para refletir sobre situações adversas que já vivenciamos é bem possível identificarmos momentos em que tivemos uma atitude reativa, afinal acabamos por responder impulsivamente tomados pelo sentimento e sem consciência da nossa real necessidade naquele momento, de modo a bloquear um possível canal de comunicação. 

 Exemplo: “Nas duas últimas vezes que combinamos de tomar café, você chegou uma hora depois sem me avisar (observação). Quando isso acontece percebo que me sinto irritado (sentimento), pois preciso de previsibilidade em nossos encontros (necessidade).”  

Pedido

pedidos-cnv

Agora que já observamos, identificamos sentimentos e necessidades, podemos fazer um pedido. Assim pode ficar mais claro para o interlocutor como seria a forma de agir que acreditamos ter potencial para a relação ser mais harmoniosa e menos conflituosa.

Exemplo: “Nas duas últimas vezes que combinamos de tomar café, você chegou uma hora depois sem me avisar (observação). Quando isso acontece percebo que me sinto irritado (sentimento), pois preciso de previsibilidade em nossos encontros para organizar melhor meus horários (necessidade). Você poderia me avisar assim que souber que não chegará a tempo do horário combinado? (pedido)” 

Até agora falamos e exemplificamos possibilidades de quando vamos falar algo para alguém em determinada situação. E quando é a situação oposta, alguém nos diz algo como no exemplo “Você sempre se atrasa! Você não me considera!” Ao invés de respondermos com outra frase que apenas criaria afastamento e mais discussão: “E você que….”, etc, podemos parar, nos colocarmos no lugar do outro e investigar qual a possível necessidade daquela pessoa naquele momento. Será que ela gostaria que eu desse mais previsibilidade e atenção para ela? Uma tentativa de criar empatia nesse instante, poderia ser: “Você está irritado comigo porque não te avisei que me atrasaria? E gostaria que eu te avisasse feito isso para não atrapalhar seus horários?” As chances de a conversa prosseguir com mais empatia e tranquilidade é muito maior.    

A prática da Comunicação Não Violenta nos torna investigadores de necessidades tanto nossas como também das outras pessoas e com o tempo vai se tornando cada vez mais fácil. Importante lembrar que nem sempre acertamos qual a necessidade da outra pessoa logo na primeira tentativa, mas abrimos espaço para ela poder dizer qual a sua necessidade como também para fazermos outras tentativas. Muitas vezes nosso interlocutor também não tem clareza da sua real necessidade naquele momento, porém ao demonstrarmos interesse em saber possibilita um canal de comunicação, como também abre portas para ele possivelmente começar a identificá-las e compreendê-las.

Quando escolhemos agir de acordo com a CNV é primordial que não percamos de vista nosso objetivo, pois no meio do caminho nem todas as pessoas a nossa volta estarão nessa mesma prática, o que requer de nós disponibilidade e empatia. Empatia com a gente mesmo também, pois exercitaremos a CNV em diversas situações e inicialmente as dificuldades parecerão maiores. Já que estaremos criando um novo modo de operarmos nas relações, algo que requer treino para nossa mente e consciência começar a operar de modo a tornar os passos da CNV o comum de agirmos em qualquer situação.                                                                                                                                                            

Pronto para começar a praticar CNV em suas relações? 

 

Como Praticar a Comunicação Não-Violenta

Comunicação Não-Violenta – Comece a aplicar no seu dia a dia

A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma técnica de comunicação sistematizada pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg (1934-2015). Ela consiste em um método de resolução pacífica de conflitos, baseada na empatia.

Marshall levava sua técnica para programas de paz em regiões assoladas por conflitos e guerras como Cisjordânia, Ruanda, Croácia e Belgrado. Bem como para as escolas e famílias, em busca da pacificação de conflitos cotidianos. ​

No entanto, você vai ver que a Comunicação Não-Violenta é muito mais que uma técnica de comunicação. Ela é uma forma diferente de ver o mundo e as pessoas. Com prática, esforço, paciência e envolvimento genuíno, podemos transformar nossos relacionamentos através da aplicação da Comunicação Não-Violenta.

Descubra o que você precisa saber para começar a aplicar a Comunicação Não-Violenta no seu dia a dia.

A Comunicação Não-Violenta é composta didaticamente por 4 componentes necessários para a sua aplicação: observações, sentimentos, necessidades e pedidos. Na prática dos diálogos do dia a dia, muitas vezes os passos não acontecem exatamente nesta sequência, mas tendo os 4 componentes como princípios nos quais se basear, é possível realizar grandes avanços em nossos processos de discernimento interno e nos diálogos com outras pessoas.

1º Componente: separar as OBSERVAÇÕES das AVALIAÇÕES

As observações são relatos de fatos que podem ser imediatamente verificáveis por qualquer pessoa que percebe algo. Relatos que sejam compatíveis com o que uma câmera filmadora pode captar.

Já as avaliações são nossas opiniões, pensamentos, impressões, julgamentos. Geralmente consistem de generalizações, ou rótulos, que limitam nossa percepção da totalidade do ser de outra pessoa.

​É muito mais fácil usar avaliações em vez de observações em nossas conversas. É mais fácil dizer “toda vez você faz isso” do que pensar com cuidado e dizer “das últimas 3 vezes você fez isso”. Usar avaliações é escolher o caminho aparentemente mais curto, mas ele acaba sendo o mais longo, pois nos distancia da conexão com o outro.​

Tendo como ponto de partida as avaliações, nós distorcemos por completo a leitura dos fatos, e assim ela adquire a cor dos medos, das esperanças e das projeções que habitam em nós.

Ao combinar a observação com a avaliação, diminuímos a probabilidade de que os outros ouçam a mensagem que desejamos lhes transmitir. Em vez disso, é provável que eles a escutem como crítica e, assim, resistam ao que dizemos.

Entretanto, manter o foco nos acontecimentos é uma forma eficaz de gerar estratégias para solucionar os problemas. Assim, conseguimos sair do ciclo vicioso das críticas e da culpabilização.

Enquanto permanecer no campo das críticas e a culpa é como estar em um incêndio. Não é possível respirar, nem enxergar uma saída. E aos poucos o relacionamento vai se desgastando.

A Comunicação Não-Violenta não nos obriga a permanecer completamente objetivos e a nos abster de avaliar. Ela apenas sugere que mantenhamos a separação entre nossas observações e nossas avaliações. Que saibamos reconhecer quando estamos observando, e quando estamos avaliando. Desta forma, podemos ir além dos nossos julgamentos e não ficar limitados a eles.

2º Componente: identificar os SENTIMENTOS

 

Ter sentimentos é uma propriedade dos seres humanos. Todos nós somos sensíveis, pois todos sentimos emoções (mesmo que em intensidades diferentes). Mas em nossa cultura, ser sensível se tornou sinônimo de ser fraco.

  • Expressar nossa vulnerabilidade pode ajudar a resolver conflitos

Vivemos a ditadura do pensamento positivo onde expor sentimentos “negativos’ pode parecer até mesmo politicamente incorreto.

Ouvimos constantemente “Não se preocupe”, “Está tudo bem”, “Anime-se”, “Melhore”, ou mesmo “Nem é nada tão grave assim” e “Pare de chorar”. Isso transmite uma mensagem cultural forte de que as emoções negativas significam que deve haver alguma coisa errada com você e você precisa se livrar rapidamente delas.

Mas é um alívio tão grande quando alguém, de forma tranquilizadora, nos deixa sentir sem tentar consertar o que sentimos: “Não há nada de errado em ‘se sentir para baixo’.” “É natural que você se sinta preocupado.” “Isso é muito doloroso.” “Imagino que seja frustrante.”

Precisamos nos afastar um pouco da noção de felicidade constante e avançar em direção a um conceito de saúde emocional.​​

  • Os SENTIMENTOS são diferentes dos PENSAMENTOS

Uma confusão comum gerada por nossa linguagem é o uso do verbo sentir sem realmente expressar nenhum sentimento. Os pensamentos são nossas impressões, nossas opiniões. Cada um tem pensamentos diferentes sobre um acontecimento. Já os sentimentos são comuns entre nós, mesmo que em graus, formas e causas diferentes.​

PENSAMENTOSSENTIMENTOS
Sinto-me uma fracassada por não ter alcançado a meta.Estou desapontada comigo mesma por não ter alcançado a meta.
Sinto que hoje foi um dia ruim.Sinto-me exausto depois de tanto trabalho.
  • Assumindo a responsabilidade por nossos sentimentos

“As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as vêem.” – Epicteto

O que os outros fazem pode ser o estímulo para nossos sentimentos, mas não a causa. Os nossos sentimentos resultam das nossas necessidades atendidas ou não atendidas.

A escravidão emocional é quando acreditamos que somos responsáveis pelos sentimentos dos outros. Achamos que devemos nos esforçar constantemente para manter todos felizes. Ou mesmo quando queremos responsabilizar o outro por um sentimento que é nosso, nestas situações é comum utilizarmos palavras que são pseudo-sentimentos.

Clique abaixo para fazer o download das listas sugeridas por Marshall Rosenberg, de sentimentos que podemos ter quando:

3º Componente: foco nas NECESSIDADES

Por trás de todo sentimento, há uma necessidade.

Estamos acostumados a pensar no que há de errado com as outras pessoas sempre que nossas necessidades não são satisfeitas. O problema está sempre no outro, e esquecemos de olhar para as nossas reais necessidades.

Falar sobre necessidades dá espaço para empatia e para compaixão, pois somos comuns em nossas necessidades. Existem algumas necessidades humanas básicas que todos compartilhamos.

Todas as nossas necessidades são legítimas. Se não valorizarmos nossas necessidades, os outros também não podem valorizá-las. Pois, para isso, elas precisam ser expressadas. Afinal, o outro não pode adivinhar o que não é dito.

Mesmo que não possamos ter todas as nossas necessidades atendidas quando queremos, apenas expressá-las ameniza nossas dores. E nos permite procurar estratégias para satisfazê-las.

4º Componente: PEDIDO que possa satisfazer as necessidades

 

Quando nossas necessidades não estão sendo atendidas, depois de expressarmos o que estamos observando, sentindo e precisando, pedimos que sejam feitas ações que possam satisfazer nossas necessidades.

Como podemos expressar nossos pedidos de modo que os outros estejam mais dispostos a responder compassivamente a nossas necessidades?

  • Pedidos com consciência

Existe uma razão para que o pedido seja o último componente da comunicação não-violenta. Fazer o pedido DEPOIS de ter expressado seus sentimentos e necessidades aumenta as chances de a pessoa que está ouvindo não entenda seu pedido como uma exigência.

Para fazer um pedido consciente, é preciso que as observações, sentimentos e necessidades estejam muito claras.

Formular pedidos em linguagem clara, positiva e com ações concretas, revela o que realmente queremos. Entrar para fazer o pedido sem saber o que queremos, resultará apenas em um desabafo.

Não há nada de construtivo ao dar “dicas” e fazer rodeios esperando que a pessoa entenda suas necessidades.

  • Pedido x Exigência

Não há espaço para exigências na Comunicação Não-Violenta. Somos pessoas livres, e as pessoas com quem convivemos também são livres para escolher o que for melhor para elas.

Para saber se estamos fazendo um pedido ou uma exigência, basta analisarmos nosso comportamento interno ao imaginar o outro dizendo “não”. Seremos capazes de respeitar a escolha dele?

“Exigências são um convite à revolta e à disputa de poder.”

Jane Nelsen

Além disso, precisamos procurar dentro de nós qual o objetivo maior do nosso pedido. Buscamos mais aprimorar a qualidade do relacionamento, ou simplesmente mudar a pessoa e seu comportamento?

Durante as fases iniciais do aprendizado desse processo, podemos nos flagrar aplicando os componentes da Comunicação Não-Violenta mecanicamente. Assim como quando estamos aprendendo um novo idioma, é com a prática que adquirimos fluência.

 

A Comunicação Não-Violenta pode ser considerada uma ferramenta ou técnica de comunicação, possível de ser praticada e aprendida. Entretanto, precisamos sempre ter a consciência do propósito subjacente da aplicação da Comunicação Não-Violenta, que é o estabelecimento de relacionamentos baseados na sinceridade e na empatia.

Você pôde ver que aplicar a Comunicação Não-Violenta não consiste em “apenas 4 Passos infalíveis para ter sucesso em seus relacionamentos”. Trata-se também de uma jornada rica e surpreendente, que torna inevitável o encontro com você mesm@, e com a sua história de vida.

Para aprender mais sobre a Comunicação não-violenta, assista o vídeo abaixo pelo próprio criador Marshall Rosenberg sobre como expressar sentimentos e necessidades:

Comunicação Não-Violenta: Como criar conexões verdadeiras no Trabalho

Uma comunicação consciente que é capaz de se conectar com o outro, transforma qualquer conflito em oportunidades incríveis de crescimento, isso é a chave do sucesso de qualquer empresa no mundo atual.

Você sabe o que é a Comunicação Não-Violenta?

Comunicação não violenta (CNV) é uma metodologia criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg que tem como objetivo resolver e transformar conflitos por meio de técnicas que estimulam a compaixão e a empatia, reduzindo assim o estresse e a frustração do dia a dia.

Fofocas, falta de diálogo, críticas excessivas, rótulos e ironias são frequentes no seu ambiente de trabalho? Se você respondeu sim, talvez esteja na hora de descobrir algumas dicas práticas  capazes de transformar qualquer relacionamento.

Comunicação não violenta (CNV) é uma metodologia criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg que tem como objetivo resolver conflitos por meio de técnicas que estimulam a compaixão e a empatia, reduzindo assim o estresse e a frustração do dia a dia.

Os 4 compomentes da Comunicação Não-Violenta (Cnv)

A Comunicação não violenta tem como base quatro componentes que, quando colocados em prática, têm o poder de mudar as relações entre as pessoas. Além de gerar um ambiente interno de trabalho mais agradável, esses pilares também podem trazer mais produtividade e resultados para sua agência.

São eles:

1. Observação sem julgamento

Foque nos fatos e deixe o julgamento de lado. Na reunião de feedback, ao invés de dizer “você sempre se atrasa”, formule frases específicas e concretas, sem generalizações, como por exemplo: “nas últimas três semanas você chegou mais de meia hora atrasado para nossas reuniões semanais”.

2. Nomeie seus sentimentos

O segundo passo é compreender os sentimentos que estão por trás das observações realizadas. Faça uma autorreflexão, identifique seus sentimentos e expresse-os de maneira clara. Por exemplo: “quando você chega atrasado sem avisar, eu me sinto desrespeitado”. Dessa forma, cria-se mais empatia e abre-se um canal de comunicação direto e sincero entre os envolvidos.

3. Identifique e comunique suas necessidades

Quais necessidades estão por trás dos seus sentimentos e atitudes? Nossas ações são embasadas em fortes motivações. Por exemplo, caso o fato de seu liderado chegar atrasado a uma reunião faça com que você se sinta desrespeitado, provavelmente a real necessidade por trás dessa situação é a de sentir-se respeitado e valorizado.

Nossos sentimentos sempre expressam necessidades: confiança, respeito, aceitação, compreensão, acolhimento etc. É fundamental que você identifique suas próprias necessidades e compreenda as necessidades dos outros. Por que ela age desta forma? Quais necessidades estão por trás da atitude dela? Questione-se.

4. Peça ao invés de mandar

Expresse suas necessidades em forma de pedidos claros, tangíveis e objetivos. Use sempre uma linguagem positiva. Ao invés de dizer “não chegue mais atrasado!”, diga “gostaria que você chegasse no horário para nossas reuniões”. Também certifique-se de que a outra pessoa entendeu o seu pedido, perguntando ao final da conversa: “então só para fecharmos, o que ficou definido?”.

4 dicas para praticar a Comunicação Não-Violenta no trabalho

“Seja o que for que você pense, acho que é melhor dizê-lo com boas palavras.”

(William Shakespeare)

Muitas vezes, a forma como dizemos algo é mais importante do que o conteúdo . Embora seja comum nos deixar levarmos pela raiva ou qualquer sentimento negativo na hora de falar algo para alguém, é necessário nos controlar para não deixar as emoções falarem mais alto do que a mensagem. Mudar nossos hábitos não é tarefa simples, mas aos poucos e com a prática diária, vamos substituindo hábitos antigos e nos tornando comunicadores mais conscientes, empáticos e flexíveis.

Algumas dicas que podem te auxiliar a colocar isso em prática:

1. Ouça mais e fale menos

Ser um bom ouvinte requer certo treino. É preciso ter uma mente aberta, livre de julgamentos e estar disponível para receber o que o outro tem a dizer. Fique atento ao que o outro está dizendo, seja acolhedor e certifique-se de que a outra pessoa está confortável na sua presença.

2. Foque mais na solução e menos no problema

Estimule sua equipe a pensar fora da caixa para encontrar soluções inovadoras e criativas para os problemas do dia a dia. Ao invés de discutir excessivamente o problema, que tal realizar uma sessão de brainstorming para encontrar a solução? Assim, sua equipe sai de um estado de frustração e desânimo e direciona as energias para a criação de algo novo. Com incentivos otimistas a criatividade é estimulada.

3. Inclua dinâmicas curtas em suas reuniões semanais

Começar as reuniões semanais com uma atividade curta e descontraída é uma ótima ideia para quebrar o gelo e criar maior interação entre a equipe.

Por exemplo, uma dinâmica legal para gerar mais conexão entre o time é a de “Up’s and Down’s”. Nesse exercício, cada membro da equipe compartilha um up (algo bom) e um down (algo ruim) sobre a sua semana. Vale tudo, desde “O dia está ensolarado e eu amo o calor!” até “Fechei uma venda importante ontem”. Não importa se os acontecimentos estão relacionados ao trabalho ou vida pessoal, o importante é compartilhar. Essa prática, além de fazer o time se conhecer melhor, aumenta o senso de empatia e de compreensão entre todos.

4. Crie e disponibilize as políticas internas do seu negócio

Políticas de RH como férias, admissão, demissão, licença maternidade e paternidade, bem como políticas de reembolso, viagens, participação em eventos e trabalho remoto precisam ser claras e estar disponíveis aos funcionários a qualquer momento. Processos definidos minimizam conflitos e mal entendidos.

Benefícios da Comunicação Não-Violenta

Os pilares da Comunicação Não Violenta podem ajudar sua empresa a fazer mais negócios através da empatia no relacionamento com clientes e do marketing centrado no ser humano.

Além disso, a CNV melhora a comunicação interna da agência, reduzindo conflitos e aumentando o bem estar dos colaboradores. Como essa prática aumenta o sentimento de coletividade, o trabalho em equipe é estimulado e fortalecido.

As pessoas que praticam esse tipo de comunicação desenvolvem skills fundamentais para o mercado de trabalho, como: capacidade de se expressar com transparência e naturalidade, capacidade de analisar fatos e situações de maneira neutra, empatia e senso de comunidade. E é claro, essas skills são de extrema importância também para a vida pessoal.

A boa comunicação é um fator chave no sucesso de qualquer agência, portanto, comece já a aplicar a metodologia da comunicação não-violenta e colha os benefícios que ela pode trazer para sua equipe!

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Obstáculos para a Empatia – Qual é o seu?

A capacidade essencial na consciência social é a empatia – sentir o que os outros estão sentindo, antes mesmo que eles nos digam em palavras.

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Ter empatia é compreender respeitosamente o que os outros estão vivendo, é esvaziar a mente e ouvir com todo o nosso ser.

Ao nos relacionar com os outros, a conexão humana ocorre somente quando conseguimos nos livrar de todas as ideias preconcebidas e julgamentos a respeito deles. Por isso a presença que a empatia requer não é fácil de manter.

“A capacidade de dar atenção a alguém que sofre é uma coisa muito rara e difícil; é quase um milagre; é um milagre. Quase todos que pensam ter essa capacidade não a possuem.”

Simone Weil.

Em vez de empatia, tendemos a ter uma forte premência de dar conselhos ou encorajamento e de explicar nossa própria posição ou sentimento. A empatia, por outro lado, requer que se concentre plenamente a atenção na mensagem da outra pessoa.


Para que ter empatia?

Se é uma habilidade tão difícil, para que deveríamos nos esforçar para ter empatia?

Além de definir empatia e mencionar alguns inimigos dela, a especialista em CNV, Carolina Nalon, sugere uma resposta muito boa para esta pergunta em sua palestra TED “Para início de conversa”. Não deixe de assistir!

Ela responde esta pergunta “Para que ter empatia?”, desta forma: “Para início de conversa”.

Isso mesmo. Para que antes de RESPONDER ao que nos dizem, possamos COMPREENDER.

“Eu desejo, eu aspiro que a partir de hoje, vocês se sintam mais abertos e dispostospelo menos, para início de conversa, vocês serem Espaço”.

Carolina Nalon

Iniciar uma conversa com empatia com certeza nos fará ser melhores ouvintes. Sabe aquela pessoa que você procura quando precisa conversar? Há grandes chances de ela ser uma pessoa empática.

Como a intenção é compreender antes de responder, usar este recurso também nos ajuda a não nos precipitar, reduzindo os maus entendidos e os conflitos.

Num conflito já instalado, a ser empático é mais importante ainda. É a única forma de interromper o ciclo vicioso de ataque e defesa.


Obstáculos para a Empatia

Estes obstáculos são comportamentos muito comuns que nos impedem de estar presentes o bastante para nos conectarmos aos outros.

Todos nós em nossas relações humanas, já caímos neles. Muitas vezes, sem nem mesmo perceber. A consciência do que sentimos, pensamos e dizemos é o primeiro passo para sermos mais empáticos.

Veja alguns exemplos de cada obstáculo em situações hipotéticas, seguidos de uma sugestão que abra espaço para a conexão.

Não existe resposta “certa X errada”. Mas existem respostas que cedem espaço para que a pessoa continue motivada a se abrir, outras que funcionam como barreiras.

01. Aconselhar

Você se lembra de alguma conversa onde sua primeira reação foi aconselhar? Tentar ajudar a pessoa sem ela ter pedido ajuda, sem se certificar se ela queria sua ajuda, sem confirmar se você realmente entendeu a mensagem da forma correta?

Ou outros momentos em que tudo que você precisava era desabafar, mas o outro não permitia pois ele estava mais interessado em “te salvar” do que te entender.

02. Competir

Você já se viu nesta situação? Quando alguém compartilha com você uma experiência ruim pela qual ela está passando, mas você não consegue deixar de pensar em si mesmo. Na tentativa de ajudá-la a se sentir melhor, você a “consola” expondo situações que você considera piores. Mas na verdade, diminui a importância da experiência do outro e exalta a sua.

E outros em que você quer desabafar sobre alguma situação difícil que você está passando, e a pessoa fala sobre situações piores que as suas na tentativa de te ajudar. Você se sente na obrigação de se sentir grato de mesmo não estando bem (ou envergonhado por estar reclamando), pois “poderia ser pior”.

Ou também se ver tentando convencer o outro de que sua situação é difícil sim, e a conversa de torna uma competição de ambos os lados.

03. Educar

“Eu te avisei”. Como pode uma resposta dessa ser construtiva para quem quer desabafar?!

Isso é muito comum entre familiares. Não é a toa que conversas com familiares são as mais difíceis.

E muitas vezes, o que nos faz ser mais distantes deles do que de pessoas que criamos laços ao longo da vida.

04. Consolar

O consolo é encoberto por uma boa intenção, o que faz com que este obstáculo não pareça ser um. Mas é um obstáculo pois trata-se de uma fala que funciona como um ponto final ao que o outro diz. Além de ser resultado do desejo que a pessoa deixe de sentir o que ela está sentindo.

05. Contar uma história

Todo mundo conhece pessoas que tem uma grande necessidade de falar, de compartilhar suas experiências, seus pensamentos. E ela vê todas as conversas como oportunidades de satisfazer essa necessidade.

E quem nunca, não é? Tem alguns momentos que não estamos preparados para escutar, mas realmente precisando falar. É aí que caímos neste obstáculo.

06. Encerrar o assunto

Não apenas disso, mas comumente provém do grande mal da nossa sociedade: a falta de tempo. Escutar nos demanda atenção e dedicação. A conversa pode se prolongar de acordo com a necessidade do outro de falar.

Encerrar um assunto pode ser uma estratégia inconsciente também de pessoas que não estão preparadas para falar sobre aquele assunto, ou sentir aquele sentimento.

07. Solidarizar-se

Dizer “Ah, coitadinho” implica que já sabemos tudo que o outro está sentindo, pensando ou pedindo. Não dá espaço para que ela expresse isso.

Precisamos lembrar que a emoção/necessidade/pedido que você teria na situação mencionada, pode não ser a mesma do outro.

08. Interrogar

Quando permanecemos na praticidade, limitados ao plano da resolução dos problemas, a empatia dificilmente consegue entrar. É preciso querer compreender antes de resolver.

Esteja mais preocupado em compreender os sentimentos, necessidades e pedidos do outro, antes de satisfazer sua curiosidade, antes de definir um diagnóstico ou sugerir um tratamento para o problema do outro.

09. Explicar-se

Se você cai neste obstáculo, ainda está pensando mais em você do que em escutar e compreender o outro.

Antes de qualquer coisa, antes mesmo de entender o que está acontecendo, nós temos a necessidade de sentir nossas consciências limpas diante de algum imprevisto.

Muitas vezes, a outra pessoa nem mesmo associou o imprevisto com algum erro seu, ela só precisa expressar o que está sentindo.

10. Corrigir

É mais um exemplo de quando permanecemos no plano prático da situação, e negligenciamos os sentimentos, necessidades e pedidos do outro.

Principalmente em situações em que sentimos a necessidade nos defender de algum ataque, nossa empatia muitas vezes se esvai. Nestes casos, antes de corrigir a pessoa e se defender, é preciso controlar as emoções, procurar entender os sentimentos, necessidades e pedidos do outro, se quisermos chegar à resolução do conflito.


Afinal, como dar espaço para a Empatia?

Nos exemplos mencionados, perceba que o principal caminho foi parafrasear o que foi entendido, concentrando as questões no que o outro possa estar sentindonecessitandoou pedindo.

Se recebemos com precisão a mensagem da outra pessoa, nossa paráfrase confirmará isso para ela.

Por outro lado, se nossa paráfrase estiver incorreta, a pessoa terá a oportunidade de corrigi-la. Não se apegue a querer acertar, mas sim, se conectar.

Outra vantagem de escolhermos repetir a mensagem para a outra pessoa é que isso lhe dá a oportunidade de ouvir o que disse e tempo para refletir sobre.

Permanecendo em empatia, permitimos que nossos interlocutores atinjam níveis mais profundos de si mesmos.

É importante lembrar que reconhecer o sentimento, necessidade ou pedido do outro, não significa que você estará concordando com tudo que ele disse. Você pode manter suas opiniões – muitas vezes contrárias – respeitando e permitindo o outro de sentir seus sentimentos.