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Obstáculos para a Empatia – Qual é o seu?

A capacidade essencial na consciência social é a empatia – sentir o que os outros estão sentindo, antes mesmo que eles nos digam em palavras.

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Ter empatia é compreender respeitosamente o que os outros estão vivendo, é esvaziar a mente e ouvir com todo o nosso ser.

Ao nos relacionar com os outros, a conexão humana ocorre somente quando conseguimos nos livrar de todas as ideias preconcebidas e julgamentos a respeito deles. Por isso a presença que a empatia requer não é fácil de manter.

“A capacidade de dar atenção a alguém que sofre é uma coisa muito rara e difícil; é quase um milagre; é um milagre. Quase todos que pensam ter essa capacidade não a possuem.”

Simone Weil.

Em vez de empatia, tendemos a ter uma forte premência de dar conselhos ou encorajamento e de explicar nossa própria posição ou sentimento. A empatia, por outro lado, requer que se concentre plenamente a atenção na mensagem da outra pessoa.


Para que ter empatia?

Se é uma habilidade tão difícil, para que deveríamos nos esforçar para ter empatia?

Além de definir empatia e mencionar alguns inimigos dela, a especialista em CNV, Carolina Nalon, sugere uma resposta muito boa para esta pergunta em sua palestra TED “Para início de conversa”. Não deixe de assistir!

Ela responde esta pergunta “Para que ter empatia?”, desta forma: “Para início de conversa”.

Isso mesmo. Para que antes de RESPONDER ao que nos dizem, possamos COMPREENDER.

“Eu desejo, eu aspiro que a partir de hoje, vocês se sintam mais abertos e dispostos, pelo menos, para início de conversa, vocês serem Espaço”.

Carolina Nalon

Iniciar uma conversa com empatia com certeza nos fará ser melhores ouvintes. Sabe aquela pessoa que você procura quando precisa conversar? Há grandes chances de ela ser uma pessoa empática.

Como a intenção é compreender antes de responder, usar este recurso também nos ajuda a não nos precipitar, reduzindo os maus entendidos e os conflitos.

Num conflito já instalado, a ser empático é mais importante ainda. É a única forma de interromper o ciclo vicioso de ataque e defesa.


Obstáculos para a Empatia

Estes obstáculos são comportamentos muito comuns que nos impedem de estar presentes o bastante para nos conectarmos aos outros.

Todos nós em nossas relações humanas, já caímos neles. Muitas vezes, sem nem mesmo perceber. A consciência do que sentimos, pensamos e dizemos é o primeiro passo para sermos mais empáticos.

Veja alguns exemplos de cada obstáculo em situações hipotéticas, seguidos de uma sugestão que abra espaço para a conexão.

Não existe resposta “certa X errada”. Mas existem respostas que cedem espaço para que a pessoa continue motivada a se abrir, outras que funcionam como barreiras.

01. Aconselhar

Você se lembra de alguma conversa onde sua primeira reação foi aconselhar? Tentar ajudar a pessoa sem ela ter pedido ajuda, sem se certificar se ela queria sua ajuda, sem confirmar se você realmente entendeu a mensagem da forma correta?

Ou outros momentos em que tudo que você precisava era desabafar, mas o outro não permitia pois ele estava mais interessado em “te salvar” do que te entender.

02. Competir

Você já se viu nesta situação? Quando alguém compartilha com você uma experiência ruim pela qual ela está passando, mas você não consegue deixar de pensar em si mesmo. Na tentativa de ajudá-la a se sentir melhor, você a “consola” expondo situações que você considera piores. Mas na verdade, diminui a importância da experiência do outro e exalta a sua.

E outros em que você quer desabafar sobre alguma situação difícil que você está passando, e a pessoa fala sobre situações piores que as suas na tentativa de te ajudar. Você se sente na obrigação de se sentir grato de mesmo não estando bem (ou envergonhado por estar reclamando), pois “poderia ser pior”.

Ou também se ver tentando convencer o outro de que sua situação é difícil sim, e a conversa de torna uma competição de ambos os lados.

03. Educar

“Eu te avisei”. Como pode uma resposta dessa ser construtiva para quem quer desabafar?!

Isso é muito comum entre familiares. Não é a toa que conversas com familiares são as mais difíceis.

E muitas vezes, o que nos faz ser mais distantes deles do que de pessoas que criamos laços ao longo da vida.

04. Consolar

O consolo é encoberto por uma boa intenção, o que faz com que este obstáculo não pareça ser um. Mas é um obstáculo pois trata-se de uma fala que funciona como um ponto final ao que o outro diz. Além de ser resultado do desejo que a pessoa deixe de sentir o que ela está sentindo.

05. Contar uma história

Todo mundo conhece pessoas que tem uma grande necessidade de falar, de compartilhar suas experiências, seus pensamentos. E ela vê todas as conversas como oportunidades de satisfazer essa necessidade.

E quem nunca, não é? Tem alguns momentos que não estamos preparados para escutar, mas realmente precisando falar. É aí que caímos neste obstáculo.

06. Encerrar o assunto

Não apenas disso, mas comumente provém do grande mal da nossa sociedade: a falta de tempo. Escutar nos demanda atenção e dedicação. A conversa pode se prolongar de acordo com a necessidade do outro de falar.

Encerrar um assunto pode ser uma estratégia inconsciente também de pessoas que não estão preparadas para falar sobre aquele assunto, ou sentir aquele sentimento.

07. Solidarizar-se

Dizer “Ah, coitadinho” implica que já sabemos tudo que o outro está sentindo, pensando ou pedindo. Não dá espaço para que ela expresse isso.

Precisamos lembrar que a emoção/necessidade/pedido que você teria na situação mencionada, pode não ser a mesma do outro.

08. Interrogar

Quando permanecemos na praticidade, limitados ao plano da resolução dos problemas, a empatia dificilmente consegue entrar. É preciso querer compreender antes de resolver.

Esteja mais preocupado em compreender os sentimentos, necessidades e pedidos do outro, antes de satisfazer sua curiosidade, antes de definir um diagnóstico ou sugerir um tratamento para o problema do outro.

09. Explicar-se

Se você cai neste obstáculo, ainda está pensando mais em você do que em escutar e compreender o outro.

Antes de qualquer coisa, antes mesmo de entender o que está acontecendo, nós temos a necessidade de sentir nossas consciências limpas diante de algum imprevisto.

Muitas vezes, a outra pessoa nem mesmo associou o imprevisto com algum erro seu, ela só precisa expressar o que está sentindo.

10. Corrigir

É mais um exemplo de quando permanecemos no plano prático da situação, e negligenciamos os sentimentos, necessidades e pedidos do outro.

Principalmente em situações em que sentimos a necessidade nos defender de algum ataque, nossa empatia muitas vezes se esvai. Nestes casos, antes de corrigir a pessoa e se defender, é preciso controlar as emoções, procurar entender os sentimentos, necessidades e pedidos do outro, se quisermos chegar à resolução do conflito.


Afinal, como dar espaço para a Empatia?

Nos exemplos mencionados, perceba que o principal caminho foi parafrasear o que foi entendido, concentrando as questões no que o outro possa estar sentindo, necessitandoou pedindo.

Se recebemos com precisão a mensagem da outra pessoa, nossa paráfrase confirmará isso para ela.

Por outro lado, se nossa paráfrase estiver incorreta, a pessoa terá a oportunidade de corrigi-la. Não se apegue a querer acertar, mas sim, se conectar.

Outra vantagem de escolhermos repetir a mensagem para a outra pessoa é que isso lhe dá a oportunidade de ouvir o que disse e tempo para refletir sobre.

Permanecendo em empatia, permitimos que nossos interlocutores atinjam níveis mais profundos de si mesmos.

É importante lembrar que reconhecer o sentimento, necessidade ou pedido do outro, não significa que você estará concordando com tudo que ele disse. Você pode manter suas opiniões – muitas vezes contrárias – respeitando e permitindo o outro de sentir seus sentimentos.

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Reinaldo Duarte da Silva
Reinaldo Duarte da Silva
Com mais de 17 anos dedicados à ciência da meditação e à Kriya Yoga de Paramahansa Yogananda, minha jornada é um mergulho profundo no autoconhecimento e espiritualidade. Com formação em mindfulness, Coaching Ontológico, compartilho uma abordagem integrativa para inspirar outros a alcançarem equilíbrio, autoconhecimento e bem-estar.
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