Mindfulness e os Benefícios Incríveis para Terapeutas e Profissionais da Saúde

Muito se fala sobre os benefícios da prática de mindfulness para as pessoas que buscam atendimento terapêutico, mas e para os profissionais (psicólogos, terapeutas e profissionais da saúde) que oferecem estes atendimentos? Como o mindfulness pode contribuir em suas práticas clínicas? Quais os benefícios do mindfulness para a atuação profissional de psicólogos, psicoterapeutas, terapeutas e profissionais da saúde?

Entenda a seguir.

O pilar central da prática terapêutica

 

Sabemos que um dos pilares centrais da prática terapêutica é o estabelecimento da relação terapêutica, fator que muitos autores descrevem das mais variadas formas. Para que ocorra a aliança terapêutica, a relação entre terapeuta e cliente precisa ser estabelecida com bases estruturadas, a confiança no processo terapêutico é indispensável. 

Diante desta premissa é importante lembrar que o estabelecimento e aderência a esta relação ocorre em instâncias que vão além das palavras do terapeuta, acontece também em meio às suas sensações, expressões e postura genuína de abertura ao que está sendo trazido pela pessoa que o procurou. 

O estabelecimento de vínculo terapêutico

Para este instante de estabelecimento de vínculo terapêutico, o psicoterapeuta/terapeuta aprendeu em algum momento de sua formação que precisa estar verdadeiramente aberto para o que vai ouvir, da maneira mais atenta e neutra possível, com o menor pré-julgamento e real interesse no que está sendo revelado à ele. 

Parece fácil, mas na rotina da prática clínica percebemos que não é bem assim. Justamente porque este não é o modus operandi que nossa mente está acostumada a atuar, não é mesmo? Portanto, este movimento do terapeuta requer prática. Percebe como a prática de mindfulness pode apoiar os profissionais dessas áreas em seus cotidianos profissionais (independente de sua abordagem teórica), aumentando exponencialmente uma atuação mais genuína no estabelecimento e manutenção de seus atendimentos e processos terapêuticos? 

Com a prática de mindfulness as atitudes do terapeuta vão se tornando parte de sua forma de vivenciar suas próprias experiências, podendo assim integrar a sua maneira de atuação profissional. Isto pode ser percebido e sentido pela pessoa que o procura, já que a comunicação não é apenas verbal, vai além da verbalização de palavras. Assim é possível estabelecer um campo terapêutico em que ambos atuam de forma ativa, vivenciando juntos e mais genuinamente a experiência terapêutica. O terapeuta amplia a possibilidade de estar consciente do que se passa interiormente e exteriormente de si, assim passa a estar mais presente e inteiro em sua prática clínica. A escuta e devolutivas do profissional passa a ter um novo espaço, um canal mais amplo para o vínculo terapêutico e para a relação terapêutica acontecer.

 

Mindfulness e a relação terapêutica

 

Ao descrevermos estes pontos mencionados anteriormente, podemos perceber a proximidade com o conceito “rapport” originário da psicologia. Trata-se da capacidade de proporcionar uma ligação de empatia, sintonia, afinidade, de conexão com outra pessoa. Como se acontecesse uma tal entrega em que você consegue ir do seu mundo para a perspectiva de mundo do outro. 

O que acaba por gerar confiança no processo de comunicação, proporcionando maior abertura e receptividade durante a terapia. Além de facilitar a interação, a troca e a recepção de informações. Fica evidente o potencial do mindfulness na atuação de forma prática na construção dessa almejada relação de empatia, confiança e sintonia entre psicólogos/psioterapeutas/terapeutas e profissionais da saúde e seus clientes, em suas relações terapêuticas.

Mindfulness, também chamado de “atenção plena” pode ser definido como a capacidade humana de estar totalmente presente, conscientes do que estamos fazendo no momento em que estamos fazendo. Isso pode parecer corriqueiro, mas é fato que podemos rapidamente constatar que realizamos a maior parte das atividades diárias totalmente desconcentrados. 

Nossa mente vai para longe, assim como o contato com o nosso corpo. Quando percebemos já pensamos em tantas coisas e não estavamos atentos ao que acabou de acontecer. Na relação terapêutica, perder alguma palavra, expressão ou sensação durante o atendimento pode ser custoso, já que não haverá repetição e muitas vezes alí estava uma chave para sua intervenção junto ao cliente.

Juntamente com os benefícios na construção/manutenção da relação terapêutica, o mindfulness auxilia na disponibilidade interior do terapeuta em caminhar junto ao cliente em sua perspectiva de mundo, apoiando a amplitude da compreensão e manejos clínicos. Mindfulness traz também maior qualidade de vida para estes profissionais da saúde que costumam ter rotinas estressantes. 

Segundo diversos estudos científicos, a prática de mindfulness pode trazer muitos outros benefícios, dentre eles:

  • Diminuição do estresse e ansiedade;
  • Aprimoramento das habilidades socioemocionais e relações interpessoais;
  • Previne depressão;
  • Melhora o funcionamento do sistema imunológico;
  • Aumenta a capacidade de concentração;
  • Inibição do fenômeno do burn out;
  • Potencialização da motivação e disciplina;

Além de todos estes benefícios para sua atuação profissional e pessoal, o terapeuta pode optar por implementar algumas técnicas em seus atendimentos, levando algumas práticas de mindfulness para seus clientes inserirem em suas rotinas.

São muitos os benefícios para a atuação destes profissionais, não é mesmo?! 

 

5 Exercícios de Atenção Plena para o Autocuidado

Na maior parte do dia estamos nos preocupando com os outros: cuidamos do nosso trabalho, da nossa família e dos amigos, sem muitas vezes ter tempo cuidar de si mesmo. Muitas vezes, mesmo dedicando tempo para si, é provável que a atenção esteja voltada para fora, voltada para os problemas que devem ser resolvidos ou para acontecimentos passados.

Com o autocuidado, o amor próprio floresce, o autojulgamento e as autocríticas são substituídas por amorosidade e autocompaixão. Com Mindfulness (atenção plena)  é possível que você desenvolva uma conexão consigo mesmo, aprendendo a aceitar melhor seus defeitos e falhas.

Leia agora mesmo 5 dicas práticas de mindfulness para desenvolver seu autocuidado!

1.Ao despertar pela manhã
Ao invés de levantar num impulso, permita-se despertar de forma gradual e gentil. Leve a atenção para a sua respiração e para o seu corpo e perceba cada membro: inicialmente os pés,depois panturrilhas, joelho, coxas e assim por diante.

2.Ao escovar os dentes
Da próxima vez que for escovar os dentes use a sua mão não dominante. Essa ação fará com que você tenha mais atenção e consciência, devido a dificuldade que essa tarefa necessita. Investigue com curiosidade os movimentos e sensações ampliando a sua percepção de tudo o que envolve esta ação.

3.Ao caminhar
Ande devagar e de maneira consciente. Perceba seus braços balançando, as pernas se intercalando, e os pés batendo no chão. Tente sentir o chão que você pisa através do calçado, tente sentir a brisa que bate no seu rosto, atente para as sensações que você tem durante o caminho.

4. Exercício de inspiração e expiração
Sinta o peito dilatar e, em seguida, expire pela boca. Repita cinco vezes e então feche os olhos, voltando ao jeito natural de respirar. Observe o movimento de subida e descida provocado no corpo. Repita duas vezes. Cada vez que a mente se distrair, recomece sem sentir culpa ou chateação.

5. Sensações
Feche os olhos e sente em uma cadeira e observe sua postura. Sinta como as pernas tocam na cadeira, como os pés estão apoiados no chão e como é a textura da suas roupas na pele. Agora preste atenção nos outros sentidos, o cheiro que você sente, o gosto da sua boca, se está com calor ou frio. Perceba suas sensações.

Exercite as dicas e desenvolva o seu autocuidado com essas práticas simples de atenção plena.

Três maneiras conscientes de acalmar uma mente ansiosa

Estresse e ansiedade fazem parte da vida, especialmente durante esses momentos de incerteza, mas eles não precisam controlar o seu dia.

Estresse e ansiedade fazem parte da vida, especialmente durante esses tempos de incerteza. No entanto, não precisamos ser escravizados por nossa ansiedade e, em vez disso, podemos fortalecer nossas habilidades conscientes para aliviar nossas mentes ansiosas, entrar em nossas vidas e crescer em confiança.

1. Liberte-se  do crítico interno
Não apenas a ansiedade é dolorosa o suficiente, mas muitas vezes somos atingidos por uma segunda rodada de pensamentos autocrítica severa . Faça a si mesmo uma pergunta simples: os julgamentos o deixam mais ou menos ansiosa? A resposta é quase sempre, mais. Na próxima vez que você notar o autocrítico, veja se consegue interrompê-lo, entrando em seu coração e dizendo: “Posso aprender a ser mais gentil comigo mesmo”.

2. Pratique sintonizar os sentidos


Em momentos de ansiedade moderada a intensa, a prática 3 × 3 pode ser útil. Entre em três de seus sentidos e cite três coisas que você nota sobre eles. Em outras palavras, cite três coisas que você está vendo, cheirando, provando, sentindo ou ouvindo. Isso pode ajudar a interromper o pensamento catastrófico automático que está alimentando a ansiedade.

3. Canalize sua energia ansiosa
Nem toda ansiedade é ruim. Como a maioria dos eventos mentais, a ansiedade está em um espectro. Quando você está sentindo muita energia ansiosa, isso pode causar estresse ou coragem . De qualquer maneira, precisamos liberar isso. Se sua ansiedade não é grave, você pode realmente canalizar essa energia para algo produtivo. Se você está esperando nervosamente ouvir algumas notícias, por exemplo, fique ativo – faça uma caminhada rápida, limpe, organize ou faça uma horta.